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“Malhação neuronal”

 

 

Estava cansada e sem saco. Totalmente entediada e morrendo de vontade de sair correndo porta fora pra fugir do trânsito e chegar em casa mais cedo pra fazer…nada. As usual.

 

Ultimamente eu ando com uma dificuldade incrível de prestar atenção em coisa alguma que não seja relacionada à Disney. Isso somada aos mecanismos de defesa do meu cérebro que decidem me deixar no mundo da lua 24 horas por dia pra que eu não crie rugas me preocupando com problemas que não são meus, me faz quase babar durante as aulas enquanto eu penso no meu mais novo romance Hollywoodiano com Robert Pattinson. Não que eu deixe de estudar, prestar um mínimo de atenção nas aulas e tentar lembrar a mim mesma que aquilo tudo é muito importante pro meu futuro e um sonho que realizo todos os dias.

 

E daí, no meio dessas minhas divagações sem fim uma professora solta a frase “vamos lá, pessoal, está na hora de começar a nossa malhação neuronal do dia”. E depois de uma aula fantástica que conseguiu – finalmente! – me prender a atenção ela explica porque a nossa geração é tão desencanada da vida e das coisas.

 

Eu sempre fui diferente. Não diferente no sentido de “especial” e aquela ladainha toda, mas diferente em relação à visão que tenho da vida e de tudo ao meu redor. Nunca fui o tipo de pessoa que “não pensa”. Que prefere ficar copiando Power Point que professor pena pra fazer. Sou nerd mesmo. Gosto de fazer anotações frenéticas durante a aula não para copiar o pensamento de quem fala, mas para conseguir chegar às minhas próprias conclusões. Odeio decoreba. Eu gosto mesmo de aprender e acho super importante saber quem foram McLuhan e Habermas. Por mais que eu odeie os pensamentos e teorias malucas que os dois criaram.

 

Quero dizer…eu fico pensando o que essas pessoas que vão para a faculdade pra bater papo O TEMPO INTEIRO esperam da vida. Se papai tem dinheiro a mais pra você gastar…Vai jogar dólar do topo de um prédio, gasta tudo em eletrônicos que você nunca vai usar, compra um time de basquete, sei lá! Mas não faça seu pai investir numa coisa para qual você não se importa, mas que vale a vida de outros.

 

Se tem um coisa que consegue me irritar mais do que gente que se veste de uma cor só e acha que ta arrasando é aborrecente que paga de intelectual porque ta na faculdade de Jornalismo. Tem um comentário engraçadinho pra soltar na aula de revisão pré-prova? Bom pra você campeão, agora aproveita e muda de profissão, stand up comedy é mais adequado pra você. Por mais incrível que pareça, existem mesmo pessoas que se importam com o caminho que o mundo está tomando e o que elas podem fazer para mudar alguma coisa nesse caos sem fim que a gente vive. Eu sou uma delas. É claro que com 21 anos de idade, não existe muito que se possa fazer, mas os pequenos atos podem mover montanhas. E é assim que a gente começa.

 

Se você não nem aí pra nada, não quer estudar, nem aprender porcaria nenhuma, porque o vale mesmo é a prática, vai pro bar, colega, seu lugar não é numa sala de aula.

 

E digo mais, se você odeia discussões em sala de aula porque acha que isso é perda de tempo e você prefere que o professor entre na sala, dê a matéria, mande o power point pro e-mail da sala e cabô, sinto informá-lo mas seu lugar também não é na faculdade e sim em algum cursinho pré-vestibular da vida. Ou melhor ainda, no colégio. Mais precisamente no ginásio. Faculdade é um lugar onde você deve adquirir conhecimento, desenvolver o pensamento, encontrar os argumentos necessários para defender as opiniões que você forma. É lugar de bater boca com professor (no bom sentido, claro, e não partir pra ignorância) e conseguir provar que sua posição é verdadeira, correta e tem fundamento ou que existe algum dado que você deixou escapar e sua tese tem falhas que precisam ser aprimoradas.

 

E se você acha um saco ter que ler um livro de 400 páginas pra uma das matérias que você cursa…Eu pergunto: o que você quer da vida, cidadão? Juro, cara, se você prefere ficar em casa, no Orkut, mandando recadinho com fofoca pros amigos, ou passar a noite inteira na balada depois de uma semana inteira sentado no bar. Vai na fé, amigo, lhe dou a maior força. Mas, de novo, seu lugar não é na faculdade. Reclamar de leitura longa é RIDÍCULO. Devíamos é reclamar de não tê-la.

 

Sou total a favor dessa idéia de “malhação neuronal”. Pô, tem coisa mais legal do que você finalmente entender a modernidade e porque a sua geração age do jeito que ela age? Saber explicar o que isso tem em relação com o Jornalismo e porque isso vai diferenciar você de um profissional invejável de um jornalista medíocre? Sinceramente, se você não se importa, desiste do curso e usa o dinheiro do seu pai pra investir numa barraquinha de pipoca. Aposto que você vai ganhar mais desse jeito.

 

Prontofalei.

Eu, Má e Lele

Eu, Má e Lele

Existem coisas nessa vida que são difíceis de explicar. Não sabemos muito bem quando a sua existência inteirinha pode virar de cabeça pra baixo e você se vê em um país estranho, morando com pessoas estranhas, com um trabalho estranho em um lugar surreal. Quero dizer, o que existe de comum em ver o castelo da Cinderella todo o santo dia por dois meses e meio?

E é estranho porque você pensa que essa experiência não vai mudar em nada o que você é, até que você se flagra pensando coisas diferentes e fazendo coisas que você não faria normalmente. Mais do que isso, você volta pra casa e percebe que as pessoas aqui continuam as mesmas enquanto você está num ‘lugar’ completamente distinto, com a cabeça muito mais…madura e crescida do que você achava que estaria.

Sentir saudade deve ser a pior parte, e ao mesmo tempo a melhor. Você passa horas recordando dos momentos que passou com a família do Vista Way 3305 e seus respectivos agregados (incluindo eu mesma, até duas semanas antes do final do programa). E de como era bom pegar o ônibus da American Coach sempre no horário certo e ter que andar por aí com a sua identidade no pescoço. E, meu Deus, como faz alta ver aquele maldito castelo todos os dias e programar a sua folga de acordo com o horário da Celebrate a Dream Come True Parade, o Wishes Fireworks Spectacular, o Illuminations e o Fantasmic!. Como eu sinto falta de ouvir aquela música tão familiar às oito horas da noite e pensar que faltava pouco para ir para casa, encontrar a família. Todo santo dia.

E você se vê numa rotina tão gostosa…tão, normal, que a magia toda meio que desaparece e você se vê presa nessa bolha de felicidade difícil de desfazer. Você sai do trabalho e vai pra casa dos amigos, infringe algumas leis do condomínio, vai pra casa depois do horário permitido e dorme, feliz, às duas da madrugada, para acordar as oito no dia seguinte e começar tudo de novo. Fora as incansáveis discussões sobre onde iríamos. Era melhor ir pra Downtown, dar uma volta, pro Hollywood, pra ir à Rock’n’Roller Coaster, para o Epcot, no Mission Space, no Magic ver o Wishes ou pro Animal, aproveitar a Everest?

As dores e os hematomas param de incomodar tanto e passam a fazer parte dessa sua nova personalidade, por mais triste que isso pareça, e as competições para ver quem consegue se levantar mais rápido do sofá nojento da sala-de-estar  viram rotineiras.  Isso sem contar as disputas para descobrir quem trabalhou mais horas naquele dia. Meu recorde foram 17.

Chega o Natal e a festa improvisada que vocês fazem cobrem a saudade de casa e lembram a nova família que se forma, que vai lhe dar auxílio nos momentos bons e ruins daquela…’viagem’. Entre batalhas com o Peru e buscas incessantes no Google por uma receita de maionese você percebe está em casa. E nada mais importa. Dali para frente, agradece aos deuses pela existência de AT&T e suas vantagens em falar de graça com aqueles de mesma operadora.   E você aproveita aquela liberdade e a sensação de ser dono da sua própria vida pela primeira vez. De ter que cuidar do seu próprio dinheirinho, fazer compras no Wal-Mart toda semana e lavar roupa em algum momento. Tudo em companhia daquelas pessoas que fazem aquele lugar um lar, é claro.

Lele, Tata, Hugo, Aline, Má e eu

Lele, Tata, Hugo, Aline, Má e eu

No Ano Novo, você se pega celebrando o dia 30 e não o dia 31, quando quatro dos seus mais novos melhores amigos (um deles não tão novo assim, mas igualmente – talvez até mais – importante) decidem ficar até as duas da madrugada no Magic Kingdom se divertindo e esperando você sair do trabalho. Você dança com Guests na Main Street como se fosse a coisa mais normal do mundo, assiste os fogos de Ano Novo com um dia de antecedência, faz as coreografias da Macarena, Cha Cha Slide e o Eletric Slide nos intervalos entre as paradas e acha a coisa mais legal da vida. E o castelo sempre lá… Observando.  

E é engraçado, porque mesmo você vendo os personagens sem cabeça, Cinderella tendo uma DR com o namorado em pleno horário de almoço, Bella devorando um Subway, duas Ariel tomando um café juntas no meio da tarde e Peter Pan e o namorado trocando carinhos no horário de break, quando você se vê ‘on stage’ a magia daquilo tudo não some, pelo contrário, voltam com mais força. A consideração que você passa a ter por tudo aquilo, por todos aqueles que fazem daquele lugar, o lugar mais mágico do mundo, chega a um nível em que não existem palavras suficientes para descrevê-la. Aliás, nada daquilo pode ser descrito. É…overwhelming demais. Especialmente quando, no dia da inauguração do novo presidente norte-americano, você está tendo um dia de cão, quando sua vontade de trabalhar é mínina e ninguém, ninguém menos que Branca de Neve, sim, ela mesma, pergunta se pode sentar-se com você, uma vez que todas as outras mesas estão ocupadas. E aquele momento faz o seu dia inteirinho valer a pena. Ainda mais porque ela consegue ser a pessoa mais simpática do planeta e diz, na cara dura, que você deveria fazer uma audição para ser princesa, porque você é simplesmente linda. Não só isso, mas o amigo gato – hétero e, talvez, um dos princípes – dela confirma tudo e diz que você poderia mesmo ser uma princesa. Pronto, dia feito e lá está você no topo do mundo outra vez.

Fora o magical moment de Branca de Neve, a família que se forma lá também tem esse efeito sobre você. O dia está ruim? A Má vem com aqueles abraços reconfortantes e as loucuras tão comuns a mim para me fazer sentir melhor. A Letícia aparece na sala com cara de desespero, porque, mais uma vez, ela vai ter que colocar a meia-calça dela pra lavar porque o chulé está demais para qualquer ser humano agüentar. A Paula chega em casa, ainda de costume, com algum babado novo pra contar, enquanto a Aline, desesperada, começa a limpar a casa porque no dia seguinte temos inspeção. O Daniel aparece do nada, largando as coisas dele pelo meio do caminho, como se estivesse em casa. O Hugo, não sabe muito bem o que está fazendo ali, mas está se divertindo ao descobrir, um mês depois que eu ainda não morava no 3305. O Fernando não sabe muito bem se ajuda a Aline a limpar ou se continua contando sua versão distorcida de alguma história. A Tatá solta palpites do que podemos fazer aquela noite enquanto fala com o namorado no Skype. De novo. O Guilherme andou sumido por um tempo, mas aparece, do nada, falando que faminto e que quer ir comer no Wendy’s. E é essa loucura quase todos os dias, que fazem cada momento daquela maluquice de largar a faculdade por um trabalho na Disney valer a pena.

 

Tatá, eu, Fernando, Daniel, Paula, Lele, Guilherme e Japa

Tatá, eu, Fernando, Daniel, Paula, Lele, Guilherme e Japa

Aliás, qualquer coisa valeria a pena.. desde que você tivesse aquela família para quem voltar. E aquele castelo para idolatrar todo o santo dia.

Afinal, all it takes is courage, trust and a little bit of pixie dust to make your dreams come true.

Os sonhos da minha gaveta se realizaram. Até mesmo aqueles que eu nem sonhava em ter. E os seus?

How long will it take for you to wish upon a star?

“Se eu tivesse um…

 

Batia uma!”

, eu sei que essa frase total não combina comigo, por isso até dei uma amenizada para que não ficasse tão forte. Mas eu senti, com o fundo da minha alma, que precisava desesperadamente escrever um post sobre ela no momento em que foi proferida por minha querida e amada sócia Cíntia.

É muito estranho. Imagine a situação. Você se matando feito um camelo que peregrina pelo Saara no dia mais quente do ano para conseguir uma entrevista para um certo trabalho. Passa o mês inteirinho correndo atrás de alguém que possa arranjar o tal depoimento com um ídolo da música, mas tudo o que recebe é embromation, embromation e portas na cara. E então você chega naquele ponto crítico em que ou você consegue a tal entrevista ou pega uma DP ferrada. E vira aquela coisa de louco, você corre atrás, corre atrás e corre mais um pouco, atira para todos os lados tentando conseguir alguma coisa e a ansiedade da espera mata cada célula do seu corpinho cansado. E então…as meninas de Petrópolis cantam quando chega um e-mail na sua caixa de entrada. Uma resposta de um dos contatos que você fez. E o lorde inglês que é aquele artista diz que sem dúvida cederia algumas palavrinhas para o seu tão humilde trabalho. É nessa hora que você solta um ‘CARAI, VÉI! EU SOU PHODA DEMAIS!’. Claro que na verdade a pessoa phoda no caso não é você e sim o lorde, mas só de pensar que você conseguiu aquela entrevista que colocava sua nota na berlinda, e uma entrevista de porte como aquela, dá vontade de você crescer um pinto só para bater uma pra você mesmo.

E um momento de euforia tão grande que você tem vontade de colocar a sua música favorita para tocar (tirada da sua lista de músicas mais animadas e empolgantes) e correr feito uma maluca pela Avenida Paulista, gritando feito uma gralha nos últimos momentos de vida, só para prolongar um pouquinho mais o momento de felicidade. Rodar e rodar e rodar até ficar tão tonta que não consegue andar em linha reta.

É difícil explicar. Acho que não existe coisa melhor no mundo do que aquele sentimento de auto-realização, que grita a sua capacidade de fazer alguma coisa por si mesma. Você se sente no topo do mundo, como se fosse a última Chocookie do pacote (que fique registrado aqui, que essa é a melhor bolacha do Universo). Eu penso que todos nós estamos nesse mundinho caótico por um motivo. Todos temos uma mente complexa que dificilmente entendemos por completo. Uma mente que sonha, imagina, deseja, ama, odeia. Uma mente que se machuca com uma facilidade incrível e se recupera tão rapidamente quanto. Uma mente que, ás vezes não controlamos. Mas a diferença entre as pessoas que fazem a diferença e aquelas que simplesmente aproveitam a vista é essa realização pessoal.

Existe tesão maior na vida do que você imaginar um projeto de cabo a rabo, pensar cada detalhe, cada linha, imagem, palavra usada. Pensar detalhadamente cada etapa, fazer acontecer e ver esse sonho dar certo?Pensar que aquele é o seu bebê, que você colocou sua vida ali e aquilo recebeu um reconhecimento absurdo e que as pessoas admiram o que você fez? É colocar um sorriso idiota na cara para nunca mais tirar.

Enfrentar as pessoas para ver os seus sonhos darem certo. É incrível como ficamos valentes quando defendemos uma coisa que queremos mais do que a própria vida. Foi como me senti ao enfrentar um certo coordenador de curso para conseguir, junto com as minhas colegas (e viva o quarteto!), mudar totalmente o projeto do 4º semestre. Uma vitória inimaginável. Começar a colocar as idéias em ordem a montar o nosso jornalzinho então, melhor ainda. Só faltávamos pular na mesa dele e dançar a hula pra comemorar, enquanto cantávamos ‘Lá-lálá-lálá-lá to-mou-na-ca-be-ça!’. Não que, na minha mente, eu não tenha feito isso repetidas vezes enquanto ele chorava copiosamente. Foi um momento tão importante que o revivemos  todas as terças-feiras à tarde, enquanto trabalhamos nosso jornal piloto. A alegria e a vontade de fazê-lo faz com que nosso produto final tenha um diferencial: a nossa força-de-vontade como principal divulgador.

Afinal, nada daquilo que fazemos com vontade passa despercebido. Sempre existe uma recompensa para as coisas que fazemos com o coração. E são frase como as de hoje que tornam esses momentos ainda mais especiais, porque nada como uma boa piada para transformar o estresse da procura na risada da vitória (ui!, que profundo!). E falem a verdade, às vezes, nos sentimos tão cool e tão inatingíveis nessa hora que temos vontade de levantar um monumento em nossa homenagem enquanto nossos seguidores fiéis esfolam seus joelhos enquanto ajoelham-se perante nossa bela imagem. , isso nunca vai acontecer, mas que dá uma vontadezinha de bater uma para a nossa capacidade de conquista, isso dá…

Essa é uma das idéias que eu nunca vou colocar na gaveta. Porque importante mesmo é saber que você pode fazer os sonhos virarem realidade, e, depois disso, correr feito uma maluca pelas avenidas da cidade, esperando aumentar e prolongar um pouquinho mais essa sensação que berra ‘CARAI, VÉI!SOU PHODA MESMO!’.

“Sexo sem sexo”

 

Tá, pode ser um conceito estranho para muitos (ou até para todos), mas nunca uma coisa foi tão clara para nós. Sabia que esse final de semana só de garotas ia fazer um bem enorme para nós duas. Depois do inferno que foi essa última semana era tudo o que a gente queria: filmes dançantes com homens pra lá de galantes (ui, rimou!). E, sinceramente, quem consegue resistir a Patrick Swayze e aquela pegada animal que ele tem? Chegamos a conclusão que Dirty Dancing é o melhor filme já feito na história da humanidade e que NADA, mas NADA nesse mundo, supera aquela pegada (se bem que Diego Luna chega bem perto em Dirty Dancing noites em Havana – sim, foi total uma maratona dança de salão). Mas voltando ao assunto principal, o que descobrimos neste final de semana foi que tudo o que queremos na vida é sexo sem sexo. Calma, a gente explica.

 

Bom, uma imagem vale mais do que mil palavras, não é? Pelo menos é o que dizem. Então vamos fazer assim. Assite o vídeo que a gente vai deixar, mas assiste com atenção, e depois volta aqui e termina de ler. Se não vai ser impossível entender alguma coisa!

 

Link vídeo:  http://br.youtube.com/watch?v=RxUpTYyHlcw 

 

Muito bem, assistiram? Então vamos lá. Acho que o mais óbvio nisso tudo é…o sentimento. É simplemente incrível o jeito que eles se entregam um para o outro. Baby poderia morrer ali que iria feliz. E o mesmo acontece com o Johnny. É tão sincero, tão intenso, tão hot que é complicado explicar. Mesmo como mero espectador você consegue sentir cada sensação que eles sentem, o frio na barriga, a respiração ofegante, o desejo, o amor. Eles nem precisavam realmente consumar o ato (apesar de que todos sabemos o que vem depois). Aquela atração, o movimentar junto dos corpos, cada toque, cada olhar, cada momento, é muito mais intenso do que o sexo em si. A dança deles é tão cheia de paixão e de sentimento que palavra nenhuma é necessária para que eles saibam os próximos movimentos, quem dita as regras ali é o coração.

 

Onde entra a parte do ’sexo sem sexo’? Bem aí, nesse momento em que os corpos se encontram e se tornam uma unidade. Nesse momento em que nada no mundo é mais importante do que aquela dança. Nesse momento em que tudo o que corre por suas veias é amor. Nesse momento que não é o sexo em si mas, com a melhor definição já dita por nós duas, sim ’sexo sem sexo’.

 

Porque também, se pensarmos bem.. sexo virou uma coisa tão banal, tão comum que perdeu toda aquela ‘magia’ que originalmente tinha. Antes era tão bonito, era um ato tão revelador e íntimo que era tratado com um tabu absurdo. Claro que a queda do tabu foi um avanço incrível. Poder discutir abertamente sobre o assunto, tirar dúvidas e experimentar ‘novidades’ é sempre bom, mas essa abertura foi tão grande, que a vulgaridade sobrepôs a simbologia. Um casal de namorados eventualmente terá que transar porque é o curso natural das coisas. Virou um total clichê e poucos são aqueles momentos em que a verdade do sentimento transparece. Sexo não é mais sinônimo de ‘ele me quer’ e sim de ‘era necessário’. Logo, os momentos de sexo sem sexo preenchem a lacuna, são tão profundos que, na nossa opinião, passam a ser mais fortes que o sexo em si.

 


É justamente por esse momento ser tão raro e tão difícil de acontecer que levamos ele tão a sério (e o queremos cada vez mais!). As pessoas teimam em não entender por que ficamos tão eufóricas vendo uma cena dessas, nos olham estranho, acham que devemos estar loucas. Acredite, não estamos, só vemos o mundo com outros olhos, com a nossa visão bolha de tudo. Nossa visão de mundo é muito diferente. Sempre tentamos ver o lado bom de tudo, acreditamos no amor verdadeiro e eterno, temos uma imaginação que não cabe no planeta. Para nós, a verdadeira realização se dá na concretização dessas nossas pequenas histórinhas imaginadas, dos sonhos que temos (seja como conjunto, seja unitariamente). Na nossa bolha, um momento como esse vale…uma vida. Literalmente. O mundo pode estar acabando a nossa volta, os cavaleiros do apocalipse chamando nossos nomes, as meninas de petrópolis cantando o fim da vida como a conhecemos, anjos querubins jogando pétalas de rosas, mas ainda assim, se estivessemos e um momento como esse, nada mais importaria. É essa necessidade de ter alguns segundos de ‘não-percebo-nada-que-acontece-a-minha-volta’ que defendos com tanta paixão.

Acreditamos que, bem lá no fundo, todas as pessoas amam momentos como esse, e só não defendem com unhas e dentes como nós por que ainda não perceberam a diferença que isso pode fazer em sua vida. Não achamos que seja exagero afirmar isso, é a mais pura verdade. Ter essa percepção do mundo pode te ajudar a ver tudo de um outro ângulo, um ângulo melhor e mais imaginativo. Isso sempre mantendo um pé no chão, para depois não sofrer uma queda daquelas, é claro.

 

Acreditamos tanto nisso que chega a doer. De verdade. Como se alguma coisa faltasse e tivéssimos um buraco no coração. Um buraco que aumenta cada vez que sentimos falta de um momento como esse, que percebemos que a vida não será a mesma sem ele. Não que eles sejam inexistentes em nossa vida. Não são. Só são poucos, como na vida de quase todos hoje em dia. É por isso que buscamos, cada vez mais, deixar cada aspecto de nossas vidas mais doces e mais alegres, para que cada momento (seja fazendo roteiro de rádio ou vendo vídeos antigos) seja único, feliz e inesquecível. 

 

Agora, resta uma dúvida: por que esse post está escrito todo na primeira pessoa do plural? Será que a Marcela pirou de vez? Nãooo!!! Acontece que eu e a Marcela (a a outra, hahahahaha) escrevemos esse texto juntas, pelo google docs. Por isso o plural. Portanto, qualquer esperança de trancar qualquer uma de nós duas em um manicômio está fora de questão! Ainda não piramos de vez, pelo menos achamos que não… Apesar que…toda essa coisa de escrever texto no Google Docs sem precisar arrumar nada, todas as frases faladas em uníssono e as crescentes semelhanças começam a assustar nós mesmas. Quem sabe a gente não se interna sozinha no futuro?! Desde que Johnny Castle possa vir conosco, nem ligamos…

 

Nossas gavetas estão cheias de pensamentos ocasionais como esses. Cada vez mais ocasionais, precisam de uma gaveta própria, etiquetada: Estilo de Vida.

“Oh.My.Gosh!”

Hoje eu percebi que perdi completamente a noção. Quero dizer, porque diabos alguém em sã consciência perde o ar quando escuta o nome de uma celebridade na televisão? Pelo amor, né, eu fazia isso quando tinha doze anos de idade e o Nick dos Backstreet Boys era o meu príncipe encantado. Mas não agora, que tenho vinte anos de idade.

E daí que nessa minha divagação sem sentido parei para em pensar em o que uma boy band pode fazer com a sanidade mental de uma pessoa. Mais especificamente de uma menina, é claro. Eu mandei mensagens no Myspace para eles. Comprei o CD deles antes da data de lançamento só para ter aquele gostinho de ser uma das primeiras a ouvir as novas músicas (não que eu tenha feito isso agora…às vezes eu realmente odeio morar no Brasil). Todos os dias a primeira coisa que eu faço é entrar nos principais sites que fãs deles montaram para saber as últimas novidades. Estou completamente obcecada!

Mas por outro lado é tão bom assim. Viver numa bolha o tempo inteiro, imaginando todas as mais absurdas histórias de amor, como você trombar com um deles no meio da estação da Sé no horário de pico. É claro que é sempre muito saudável sair um pouco do caos da vidinha moderna que vivemos e sentir que em algum lugar em nossa mente existe um mundo lindo e maravilhoso no qual você é o centro das atenções sempre. Totalmente egoísta é claro, mas não podemos esquecer que nesse mundinho imaginário somos pessoas perfeitas, solidárias, incrivelmente belas e felizes. Tão felizes que às vezes, temos vontade de bater a própria cabeça repetidas vezes contra um espelho gigantesco.

Eu sempre fui uma pessoa muito… viajada. No sentido de que vivo no mundo bolha muito mais do que no mundo real. Eu sei o que isso pode parecer.. .‘Meu Deus, que menina sem vida e bitolada!’ Mas não é assim… pelo menos, não tanto quando vocês imaginam, mas eu sou mesmo aquela menina que desde pequena sonha com o casamento perfeito, o noivo perfeito, a vida perfeita. Não que eu espere que isso aconteça de verdade. Às vezes posso ser tão realista a chego a assustar comigo mesma. No entanto, sim, sou uma total idealizadora do mundo, mas isso, vocês já estão carecas de saber.

Enfim, acho que é nesse mundinho que as fãs vivem. Eu pelo menos experimento desse veneninho umas trezentas e oitenta e sete milhões de vezes ao dia. E é muito engraçado, porque durante o dia eu diversas vezes me vejo pensando: se algum dia na minha vidinha insignificante eu encontrasse com Kevin Jonas no meio da rua e ele se apaixonasse por mim à primeira vista, eu fugiria com ele? E a resposta é sempre… HELL YEAH!!!! Quero dizer, ‘HELLO!’, até parece que eu ia deixar essa oportunidade passar, né. Até porque, apaixonada por ele eu já estou! E eu tenho certeza que num piscar de olhos, largaria minha vida inteira para ficar com ele. Loucura? Sem sombra de dúvidas.

E eu fico pensando, e acho que esse é o pensamento mais maluco de todos, que para mim é como se as outras fãs não existissem. Como se elas fossem hologramas (na melhor definição da Pâm) ou meramente frutos da minha imaginação. É engraçado, porque, não sou apenas eu que imagino as coisas por essa perspectiva. Quero dizer, são milhões de fãs ensandecidas atrás de um pedacinho deles. Por isso que eu prefiro chamar isso de fanatismo, no melhor estilo Bin-Laden-de-ser. Não que eu espere um novo caso John Lennon, mas o que me surpreende é que as pessoas dão a vida por um pedacinho daquela pessoa que para elas é tão especial. Acho que esse é um ponto crucial. O impacto que essas pessoas, e por essas pessoas digo músicos (que são a minha perdição, por sinal), têm sobre nós, meros mortais. Pô, pensem só no impacto que os Beatles tinham sobre suas fãs. E eu não falo só daquela coisa sou-o-genro-que-sua-mãe-quer-somado-com-carinha-de-neném. É a música mesmo, o comprometimento que o artista tem com as pessoas que os colocaram no topo. Às vezes, eu penso que não devia me sentir tão..afetada desse jeito. Mas é maior do que eu … a música simplesmente me infiltra e imediatamente me dá vontade de pular de alegria, de chorar até dormir ou de dançar até cair de tão cansada. Eu me identifico tanto com as letras que coloco a pessoa num pedestal… ela vira um mito na minha vida. Que, por vezes, pode me mantar mais próximo a sanidade. Por mais louca varrida que eu pareça quando escuto música. É como se eu entrasse num transe. Com direito a olhos desfocados, arrepios e cara de abobalhada.

Vai ver é mesmo esse estado de transe que nos deixa assim tão malucas por aquele popstar super in. Só esqueceram de nos avisar que no pacote vem desejos de morte, acompanhados de instintos psicopatas e ondas de raiva causadas pelos rumores constantes de namoros. Ah, claro, não podemos esquecer as olheiras, companheiras eternas das noites mal-dormidas em que tudo o que fazemos é sonhar e sonhar acordada sobre todos os detalhes do seu casamento com ele. Depois disso, vem o coração acelerado, as mãos suando frio, a respiração ofegante cada vez que uma photoshoot nova tem uma foto incrível, ou quando você vê que, sem querer, pegou aquela entrevista irada que eles fizeram no programa da Ellen.  

Acredito que esse é um daqueles momentos em que queríamos ser homens. Quero dizer, os homens gostam de um artista e ponto. Não passam disso (na maioria dos casos, né?). É tudo tão mais fácil para eles. Pelo menos é que eu espero. Se eles forem tão bitolados quanto nós. O mundo está perdido.

Enfim, mais um pensamento maluco para a gaveta. Afinal, para que ser normal? Ser uma aberração da sociedade, doida por alguém que nunca poderei ter é mil vezes mais legal.

 

 

Sempre fui uma boa filha. Não digo isso para me vangloriar sobre os outros ou qualquer coisa do tipo, mas é porque eu realmente sempre fui uma boa filha. Nunca fui mal-criada com meus pais, sempre fiz o que me foi pedido, sempre conversei nos jantares de família, ia até mesmo a missa quando era importante para papys e mamys. Nunca reclamei quando me mandavam fazer a lição de casa quando, na verdade, eu queria mais era jogar bola com o meu irmão na sala (e, no caminho, quebrar o vaso de cristal que mamãe ganhou de presente de casamento daquela tia avó que ninguém conhece).  Mas eu também sempre fui o tipo de pessoa que depende demais das outras pessoas. Depender no sentido de necessidade de carinho, de atenção. E também sou uma pessoa muito difícil de recobrar a confiança uma vez que esta foi perdida.

Em algum momento da minha vida, algum que eu não sei qual foi até hoje, eu simplesmente perdi a confiança neles. Não sei o que foi que houve e sinceramente prefiro não recobrar a memória desse momento ruim, mas eu sei que isso aconteceu e agora é difícil demais para mim retomar algo que a muito já não me pertence. Apoiei-me naqueles que se dispuseram a me ajudar, meus amigos, meu namorado… aqueles que passavam horas e horas passando vídeos engraçados no Youtube só para que você desse um pouco de risada e se sentisse um pouco melhor. Fiz o que pude para conseguir passar daquela fase horrorosa em que estava e eu consegui. Superei tudo e com louvor, no melhor estilo Michael Phelps. Pena, foi não ter o apoio dos meus pais nessa minha batalha.

No fim, percebi que não era tão importante assim. Não, não é drama ou complexo de inferioridade… mas realmente meus pais tinham mais com o que se importar naqueles tempos do que com os meus próprios dramas pessoais. Foi uma fase péssima para todos nós.

Não julgo, não cobro. Eu entendo. De verdade. E simpatizo também. Mas o que eu não consigo entender de verdade é como eles acham que nada mudou, sendo que tudo mudou.  Foram cinco anos agüentando aquela amargura toda. Aquela sensação de inutilidade, aquela falta de conversa aquele baixo astral. Aquela vontade louca de pedir o colo da mãe, mas mudar de idéia na hora que ela te dá a primeira patada do dia, e depois outra e depois outra… até hora que eu desisti de tentar e passei a contar mil vezes mais nos meus amigos. Meus pais ficaram no escuro em relação a minha vida. Não que eu tenha caído no mundo das drogas ou qualquer coisa assim (até porque, já deixei bem clara minha opinião sobre isso aqui). E de repente, lá estão eles, querendo saber tudo outra vez. Mas eu, infelizmente, não consigo me abrir em quem perdi a confiança.

Sempre recebi críticas, nunca elogios o suficiente. Meus pais não levam a sério o meu jeito de viver as minhas opiniões sobre a vida, os meus valores. Eles odeiam que eu faça faculdade de jornalismo. Eles não suportam o fato de que eu não sou baladeira como eles um dia foram. Eles odeiam que eu namore. A primeira (e última) vez que eu ouvi um ‘eu te amo’ dos meus pais foi quando eu passei um mês fora do país no ano passado. Recebi pouquíssimos abraços.

Meus pais são bons pais. Na verdade são ótimos pais. Talvez os melhores do mundo. Mas eles não me entendem. Não fazem questão de me entender. Eles preferem acreditar que a vida é o só o que eles acreditam e o que eles viveram. Eles não abrem espaços para novas interpretações. Minha mãe acredita mais no dinheiro do que no amor. Meu pai, mais no dinheiro do que na felicidade encontrada nas pequenas coisas. Eu acredito no amor e nos pequenos momentos felizes mais do que tudo na vida. Sou uma eterna criança presa na minha bolha repleta de unicórnios, fadas e arco-íris. O dinheiro para mim… pouco vale ao menos que eu tenha alguém que me ame e me faça feliz de verdade com quem compartilhar. Caso contrário, não vale a pena. O dinheiro traz solidão. A solidão é incurável.

Meus pais não me aceitam. E acho que esse fato vai me perseguir até o dia em que eu me for desse mundo, virar purpurina. Eles fazem pouco das minhas crenças, cobram de mim coisas que eu não aceito fazer, que eu não quero fazer. Meus pais fazem fofoca de mim pelas costas quando acham que eu não estou ouvindo.

Cheguei num ponto em que não consigo mais, por pura e espontânea verdade, contar sobre a minha vida para a minha mãe. E me sinto irritada quando ela faz perguntas de mais. Não tenho mais vontade de conversar. Não conto sobre meus amigos, meus namorados, meu anel de pureza. Sinto falta dos dias em que isso fazia alguma diferença na minha vida.

Eu amo os meus pais. Mais que tudo nessa vida. Mas não confio neles. Meramente convivo. Já conversamos sobre isso. Na verdade tivemos uma daquelas brigas sobre as quais os vizinhos do prédio comentam na reunião de condomínio.  Não teve um resultado muito positivo… por alguns dias eles mostraram mais interesse, eu mostrei mais interesse, mas daí o mal-humor do meu pai voltou e tudo regrediu. As patadas voltaram e eu não tive mais paciência para continuar insistindo numa causa que eu sabia perdida. Amo meus pais. Mas eu me amo mais. E sei que essa relação de descaso (tanto do lado deles quanto do meu) me faz melhor do que as tentativas que me frustravam e me faziam chorar escondida no banheiro. Por isso me afasto. Mantenho-me longe para ficar bem comigo mesma. E não voltar ao mesmo estado de torpor em que me encontrava quatro anos atrás.

Sinceramente, pode ser uma relação complicada, com todos os seus altos e baixos. Mas para os baixos, ‘beijos, me liga!’. Eu aproveito os momentos bons que temos, sem me importar com o que poderá vir a seguir. O vazio às vezes vem… dá um sinal de vida e bate aquela dorzinha de cotovelo de Rory Gilmore e a maravilhosa Lorelai Guilmore. Mas antes suportar passivamente e de bom grado o que me faz bem, do que continuar no fundo do poço, jogando truco com a Samara.

Afinal, é para isso que serve a gaveta, não? As sensações negativas a gente guarda, acha o centro, fecha o saquinho de decepções e joga fora. Os sentimentos bons, desfrutamos com todas as nossas forças, afinal, são eles que realmente nos fazem levantar com um sorriso no rosto, prontos a enfrentar os desafios das brigas diárias, cabelos brancos precoces e frustração esquecida.

 

 

‘Anel de quê?’

 

Sempre me senti muito sozinha no que dizia respeito aos meus valores. Nunca fui igual à todo mundo, nunca pretendo ser. Sempre fui muito criançona. Não me importo de ter 20 anos de idade nas costas e ainda assistir Disney Channel 24 horas por dia, ter as músicas dos meus desenhos e filmes animados favoritos no Ipod e ouvi-las sem parar. Nunca liguei muito para o fato de preferir alugar um filme e ficar em casa com os amigos a ir para a balada.

Mas ainda assim, apesar de sempre ter aquelas pessoas que considero essenciais para mim, ainda me sentia só. Não só no sentido literal da palavra, mas no sentido emocional.

Nunca bebi. Nem uma gotinha de álcool sequer. Okay, isso é exagero, não vou mentir que nunca experimentei bebidas. Muito pouco, mas já experimentei. Mas nunca fui a fundo nesse assunto. Para falar a verdade eu nunca vi graça nisso. Eu sou ‘naturalmente bêbada’ e nunca vi necessidade em enfatizar esse meu lado ficando bêbada de verdade.

Também nunca fumei. Nenhum tipo de cigarro ou drogas. Sigo o mesmo pensamento do álcool nesse assunto. Nunca vi necessidade ou tive a curiosidade para experimentar. Também não me arrependo disso. Eu acredito que essas características, essas crenças que eu tenho já se tornaram parte de quem eu sou. Assim como minhas amigas comentam de vez em quando, apesar de sentirem a curiosidade de me verem chutar o balde, não conseguem me imaginar num estado alterado propositalmente, se é que vocês me entendem.

E a pressão foi sempre grande demais. Sempre me sentia sozinha nesse aspecto. Na balada, sempre fui a única a pedir, com orgulho, um copo de água quando tinha sede. E, como já disse, não me arrependo. Sempre tive muito, mas muito orgulho mesmo desse meu lado. Mas eu sou humana, e não conseguia evitar aquela vozinha no fundo da minha mente que, às vezes, dizia que eu deveria mais era parar de ser besta e me jogar como o resto dos meus amigos.

Mas nunca me entreguei à vozinha irritante. Não queria ser igual aos outros, nunca quis. Então eu continuava, e continuo, firme e forte.

Daí, aconteceu que eu me vi sozinha e isolada. Talvez fosse mais impressão do que qualquer outra coisa, mas eu sentia muito a falta de alguém como eu para poder compartilhar as minhas experiências os meus pontos de vista e a minha moral. Alguém que não me julgasse ou achasse que já estava na hora de eu acordar para a vida e começar a agir como uma pessoa da minha idade deve agir. Se é que isso realmente existe. Nunca vi um manual que explique como cada pessoa de cada idade deve se portar. Mas o ponto aqui é: eu sentia a falta de uma amiga parecida comigo.

Eu sou uma pessoa muito carente, muito ansiosa. Preciso muito de atenção e quando me vejo sozinha, entre em crise… e quando entro em crise é complicado voltar ao normal. E foi aí que as coisas mudaram completamente para mim.

 

Eu estudo em uma faculdade grande. Minha sala tem quase 70 alunos é muito difícil conhecer todos muito bem. Então, mais ou menos como no colégio, formamos aquelas panelinhas, os amigos mais próximos e consideramos os outros meros colegas. Enfim, após um semestre complicado, no qual algumas das minhas amigas precisaram refazer o horário de aulas inteiro por causa de DPs, encontrei-me sozinha em algumas das aulas mais compridas e consumidoras de tempo de todo o semestre. O que fazer então? Estava na hora de ‘leave the box’ e procurar por novas amizades. Afinal eu teria aquelas aulas por todo o semestre e não seria legal me associar aos outros apenas por interesse. Eu não sou assim. Então eu fiz isso. Senti meus instintos e fiz novas amizades. E minha vida virou de ponta cabeça. Acabei encontrando 3 das pessoas mais importantes da minha vida atualmente, a Priscila, a Marcela e a Cíntia. Uma delas, no entanto, acabou se destacando.

Eu e a Má somos muito parecidas. Em todos os aspectos (menos, talvez, fisicamente). Acabamos nos encontrando no mundo, uma vez que descobri que ela sentia tanta falta de uma amizade com alguém tão semelhante à ela como eu. E nessas férias, acabamos tão ligadas, mas tão ligadas, que passamos 90% do tempo juntas. Eram horas e horas vendo filmes, comendo besteiras, pirando nos Jonas Brothers, jogando papo fora, viajando com a Pâm no MSN. Mas só percebemos mesmo como éramos ligadas e parecidas depois de passarmos duas horas conversando sobre assuntos que eu nunca comentei com ninguém antes em toda a minha vida. E daí eu percebi que não estava sozinha no mundo. E que ela era o tipo de pessoa que eu precisava na para me dar aquele empurrãozinho que eu não conseguia me dar sozinha. Aquele apoio que eu precisava quando ninguém mais entendia o que eu estava sentindo. Mas ela entende. Porque sente as mesmas coisas que eu. Lida com as situações quase igualmente a mim. E eu descobri nela a amiga que não julgaria e que me apoiaria todos os momentos daquele momento em diante. Tudo entre nós deu tão certo, mas tão certo que até o Luiz, o namorado da Má, e eu nos viramos bons amigos e eu não vergonha de dizer para ele que a Má é minha irmã e que eu preciso muito desse tempo que tenho com ela. Descobri uma grande amiga, uma pessoa em qual posso confiar completamente, uma irmã. Um alguém que não me julga quando tomo decisões importantes. Que não se importa de eu usar um anel de pureza. Ao contrário, me incentiva e diz que se é isso que eu quero da minha vida, eu tenho mais é que ir de cabeça.

De maneira nenhuma desconsidero o que minhas outras amigas fizeram por mim. Todas elas têm um espaço especial no meu coração. Tenho várias irmãs. Mas essa em especial, era a que faltava para eu sentir que tenho alguém que, como eu, não se importa com o que os outros pensam, ou que eles acham de mim. Que não se importa em pagar mico e assistir Camp Rock repetidas vezes. Que não sente vergonha de dançar a coreografia de We’re all in this together no ônibus ou cantar alto o suficiente para todo mundo ouvir. Graças a ela, me sinto como a Marcela. Completa e totalmente. Sou eu mesma, em toda a essência da frase.

Amo você, sis, mais que Kevin Jonas (suéter + suspensório + creme Starbucks, e agora, acordando), muffin de banana com chocolate, Nick Jonas cantando A Little bit Longer ou Joe Jonas dançando. E só para lembrar, somos nós contra o mundo, e nada vai nos derrubar.

Triste foi o dia em que eu percebi que tinha me apaixonado por um rockstar, um não, três. Quero dizer, não é como se eu ainda tivesse doze anos de idade e esse tipo de comportamento fosse, no mínimo, aceitável. Mas cá estou, com as mãos suando frio, cada vez que escuto uma música que eles tocam, sentindo frios incontroláveis na barriga toda vez que vejo uma foto bem tirada, e sentindo arrepios que percorrem desde o dedão do pé até a minha nuca cada vez que vejo um deles sorrindo. É completamente ridículo e imaturo. Mas não consegui controlar. Não que eu também seja a melhor pessoa do mundo no que diz respeito a auto-controle (vocês já sabem porque – se não lembram, vejam aqui).

Daí, acontece que eu sou uma pessoa de mente muito fértil. Tipo, muito fértil. A ponto de perder o ponto de ônibus na volta pra casa ou descer na estação de metro errada e não reconhecer a Av. Brigadeiro Luis Antônio de tão viajada que estou nas próprias histórias mirabolantes que invento. Quero dizer, quando no mundo iria Zac Efron trombar comigo no centro da cidade enquanto vendo pães de mel para bancar a faculdade e se apaixonar loucamente por mim? Só em sonho mesmo. Ou melhor, vai ver nem em sonho, porque uma coisa assim nem o mais louco roteirista de Hollywood imaginaria. E então lá estou eu, em casa, com a tevê ligada, a página do Word aberta tentando, enfim, colocar algum dos meus textos em dia, os fones de ouvido no último volume e tudo o que eu consigo pensar é que eu tenho vontade arrancar a suéter de Kevin Jonas com os dentes deixar ele me jogar contra a parede, me chamar de lagartixa e dar A pegada que deixa qualquer uma sem ar. E eu esqueço de respirar, fico meio tonta, a visão escurece por um minuto eu começo a babar e, aí, já viu. Pode esquecer que nada que vai ficar na página do Word depois de ver aquela foto será apropriado para o horário.

Então eu e minha irmã siamesa ficamos horas e horas e horas atrás de fotos, fatos, vídeos e todo tipo de informação que podemos achar sobre eles na internet (graças a todos os deuses do universo Google e Youtube foram inventados, afinal, sem eles, eu não sobreviveria) e pensamos nos mais variados meios de tentar conhecê-los e acabamos completamente exaustas depois de pirar loucamente com a cena de Joe Jonas sem camisa em Camp Rock. Colocamos até mesmo nossos empregos à prova ao irmos dormir ás 3 horas da manhã de um domingo depois de assistir a estréia e a reprise desse filme no Disney Channel e imaginar qual seria a melhor fantasia de Pokémon para cada um deles junto com a Pam no MSN e chegamos nos respectivos escritórios com um baita mal-estar, morrendo de sono e com lágrimas nos olhos depois de vermos o último vídeo da turnê Burning Up em que Nick Jonas canta A Little Bit Longer e começa a chorar desesperadamente. Deixamos passar diversos erros em relatórios e matérias, mas não é como se realmente nos importássemos. Tudo o que queríamos era ir pra casa o mais rápido possível e nos fechar na bolha que criamos em que não pensamos em nada mais a não ser nos três dedicando When You Look Me In The Eyes para nós num dos shows mais importantes da carreia deles e afirmando todos os boatos de que somos as mulheres das vidas deles e que logo após o concerto teremos um casamento coletivo em Vegas.

E é como se existíssemos apenas nós e eles no mundo. Que as fãns enlouquecidas não passam de hologramas inconvenientes, que Selena Gomes tem um cabeção e Demi Lovato um sorriso à la Chandler-tirando-foto-para-casamento-com-a-Mônica. E às vezes você quer que o caminho de casa demore trezentas e oitenta e sete horas a mais só para você poder terminar a história louca que estava imaginando. E nem mesmo conversas sem noção total como aquela no McDonald´’s sobre a Dercy Gonçalves ter causado o Big Bang quando deu a luz a Chuck Norris consegue desligar a sua mente completamente do fato que você está total apaixonada por uma pessoa que NUNCA (e bota nunca nisso) vai descobrir que você existe.  

E então, wghoops!, você percebe quão patética é e desiste de entender o que acontece e passa a fase dois da sua big crush e decora todos vídeos que encontra sobre eles na internet, escrever mensagens para eles no MySpace (e sente dores inacreditáveis toda vez que abre a sua caixa de e-mails e não encontra uma resposta), escreve cartas, pensa nas frases mais mirabolantes para participar das mais diversas promoções do Disney Channel para, quem sabe, enfim conhecê-los. E você também pensa em tudo o que você diria para eles no minuto que os encontrasse, mas sabe que na verdade, tudo o que realmente aconteceria seria você chorando loucamente sem saber se corria de tanto nervoso ou se agarrava um deles e nunca mais soltava. Pensa também em todas as piadas que eles um dia falaram e que você retomaria, como enfim fazer uma casa de pássaros para o Kevin, perguntar ao Joe se alguma vez ele já comeu ‘rice moves’ ou se o Nick realmente usa ‘Slow down, girl, I’m a diabetic’ como a sua pickup line (e reza para que todos os deuses do universo sejam caridosos e o façam usar essa fala com você).

Enfim, a situação inteira chega a ser tão ridícula e humilhante e estressante que você esquece os seus problemas, entra num mundo irreal onde tudo está bem e as músicas que eles fazem ajudam você a sobreviver todos os dias. Você percebe que ser Just Friends com a pessoa que você ama pode não ser o fim do mundo e que você precisa Hold On até tudo ficar bem. Porque tudo sempre fica bem. E no meio tempo você se sente Burning’Up com todas essas emoções que você sente, a vontade de gritar, pular e espernear toda vez que pensa numa cena mais intensa ou vê uma foto linda ou assiste ao pedaço de um show deles. Você sente frio na barriga quando eles dizem Hello Beautiful e deseja ser a dream girl deles. E você percebe que está feliz. No meio de toda aquela loucura que é a sua vida e de todo o drama e crises existenciais você se sente bem e feliz e livre de tudo o que lhe traz cabelos brancos.  

Nada importa de verdade que não seja a sua felicidade naquele momento. O resto você joga no fundo da sua gaveta. E vai dormir mais cedo só pra pensar neles antes de cair no sono e rezar para que seus pensamentos se transformem em um pensamento bom.  

Ah, nada como a mente e a criatividade humanas!

Sempre me falaram que eu possuo um humor um tanto quanto sarcástico. Não vou negar. Se tem uma coisa que eu não suporto, são perguntas cretinas. Isso mesmo, cretinas. Quero dizer, se eu estou sentada na escrivaninha do meu quarto com um livro de física aberto de um lado, um caderno do outro e com canetas, lápis, calculadoras e marca textos espalhados por toda a superfície de madeira deduz-se que eu estou..estudando certo? Então porque diabos sempre tem alguém que bate na porta e pergutna o que eu estou fazendo com a maior cara de interrogação? Eu respondo que estou catando coquinhos, óbvio. Ou então plantando bananeiras na varanda inexistente do meu quarto. Ou batendo um papo com o Papa (hãn hãn, pegou o trocadilho né?). Sou realmente uma pessoa tolerância zero para esse tipo de coisa. Não que eu seja grossa ou mal-humorada. Muito pelo contrário, sempre dou esse tipo de resposta dando muita risada porque esse tipo de questionamente surge justo nas situações mais óbvias possiveis. É a mesma coisa que acontece quando você está sentado no sofá comendo os restos de pizza do dia anterior e sua mãe chega e pergunta ‘você tá comendo?’ e você responde, ‘não, não, eu estou tocando violino com a língua!’. Quero dizer, peloamordedeus más é CLARO que eu estou comendo. Não aguento.

Mas, voltando ao Papa. Eu não tenho nada contra religião… Peloamordedeus, nasci em uma família católica, fiz primeira comunhão e tudo mais, mas nunca fui crismada, isso porque eu meio que perdi a fé na Igreja principalmente, o que me levou a não gostar mais do cristianismo e hoje eu me tornei agnóstica. Quero dizer se tem uma coisa que eu não entendo MESMO é porque diabos a Igreja defende a vida humilde e ‘pobre’ quando o líder deles usa um sapato Prada. Gente, sapato Prada deve custar no mínimo duas vezes mais que 15 cestas básicas. Beijos, me liga, né?

E pra continuar tem muita coisa na Bíblia que eu não entendo. Já vou logo avisando que não tenho por objetivo voltar a ser católica, ofender o cristianismo ou qualquer coisa desse tipo, são apenas dúvidas que eu (e não só eu, acredito) tenho e que não engulo de jeito nenhum. Então se vocês de alguma forma se sentirem ofendidos por esse post, por favor, falem.

Mas enfim… acho que a dúvida que mais me atormenta é: se no Éden moravam apenas Adão e Eva, de onde diabos surgiu toda a galera que povoa a Terra? Tudo bem que os dois comeram a maçã do pecado e tals e dai a Eva sentiria dores no parto e essa ladainha toda, mas como surgiram as outras trezentas milhões de pessoas? Adão e Eva tiveram todos esses filhos? Icesto? Acho que não, né? Ou será que talvez fosse uma coisa mais ou menos como o Olimpo e o resto, sabe? Temos lá os deuses, semi-deuses e afins, morando felizes e contentes em seu morro cheio de paz, amor, comida, vinho e alegria, enquanto o povão sofre com a peste negra. Trazendo o exemplo para uma realidade mais próxima a nós, meros mortais, seria como se o Éden fosse onde as pessoas que andam pela Oscar Freire e a Terra onde sempre alaga.

E outra coisa… diz lá que Moisés salvou os escravos e fugiu com eles…pelo MEIO do mar Vermelho. GENTE, para e pensa. O cara abriu O MAR com o Cajado. Sou só eu isso é MUITO estranho? OU será que foi q nem na representação dos melhores do mundo com o Hermanoteu na Terra de Godah e tava todo mundo tão louco e desesperado de ver o exército da rainha correndo atrás deles que saíram em disparada e nem viram o que aconteceu? E qual é a desse cajado? Queria eu um desses para poder abrir o trânsito e chegar em casa mais rápido.

E dizam que Jesus era um cara normal e tals, que ele vivia na humildade e tudo mais.. mas gente, o cara voltou da MORTE! Ele REVIVEU! Desculpa, mas uam pessoa normal não volta dos mortos. E daí vocês vão me dizer que ele era filho de Deus. Não duvido, mas porque ele não tinha nem um pouco de poder? Quero dizer, paizão esse hein, criou o mundo e não deu nem o poder de criar a luz para o filho. Tudo bem que ele conseguia transformar água em vinho e curar os doentes… Mas isso não é tão legal quanto criar a luz. Ou um planeta inteiro. Jesus nem era acompanhado por uma luz divina, o coral das meninas de Petrópolis e anjos querubins. Meio sem graça, né?

E por fim (não que essa seja realmente a minha última dúvida, está mais para uma curiosidade) ONDE diabos Judas perdeu as botas? E por quê, meudeus? Juro que nunca consegui entender o que essa frase, que está mais para um dito popular, tem a ver com a história toda. O Judas era o traidor, que fingiu ser discípulo de Jesus e acabou se vendendo. Depois disso eu num lembro muito da história dele, mas eu sei disso: ele não usava botas. ALiás, existiam botas naquela época? Que eu saiba eram mais aquelas rasteirinhas tipo gladiador que agora estão super in. Mas não me lembro de ouyvir falar sobre botas nos tempos bíblicos. Então, fica a questão: por quê Judas usava botas quando todo mundo mais usava sandalinhas na moda?

Vocês podem até tentar, mas que essas dúvidas nunca vão deixar a minha gaveta, isso nunca!

 

 

 

…ainda mais quando elas não são felizes.

Você me conhece, talvez, melhor do que ninguém e sabe que eu sempre tive um problema enorme em falar o que estou sentido. Especialmente quando o sentimento não é bom. Então, decidi por simplesmente escrever aquilo que preciso colocar para fora, de modo que nem você, nem eu poderemos nos desviar do assunto com uma piadinha ou um toque de mãos.

Eu já falei isso para você umas duas ou três vezes, mas eu sinto que a ficha ainda não caiu. Não consigo melhorar. E isso não é nada bom. Passaram-se quatro meses desde que decidimos dar um tempo e eu ainda não consigo superar a idéia de que estamos separados. Eu amo você. De verdade. E esse tempo separados só mostrou que as dúvidas que eu pudesse ter estavam erradas e que tudo o que eu mais quero nessa vida e ficar com você para sempre. Quando decidimos passar um tempo longe, eu estava confusa, chateada, desvalorizada e frustrada. Não tinha a atenção que precisava (e você sabe que eu sou uma pessoa muito carente) e os meus amigos me diziam que estava tudo errado e que eu não merecia as coisas pelas quais eu estava passando. Mas eu continuei tentando, continuei porque lhe amava (e ainda amo) e porque sabia que você precisava de mim tanto quanto eu precisava de você (pelo menos é o que eu prefiro pensar). No entanto, chegou uma hora que eu simplesmente não agüentava mais tudo o que acontecia (e que você já sabe o que era, porque já passamos por essa conversa) e tudo aquilo que eu acreditava sobre nós foi pro espaço. Enfim, uma semana depois de ficar longe percebi que não agüentaria muito mais tempo sem você. Exagero? Pode ser, eu sempre fui uma drama queen de marca maior, mas eu não consigo mentir para mim mesma. Nunca consegui. E quando vejo que cheguei ao meu limite, não me seguro mais, eu ‘explodo’ ou acabo multiplicando por infinito algo que eu sinto. Mas eu pensei muito sobre o assunto. Muito mesmo. E percebi que realmente eu não queria ficar sem você. Porque sempre que eu pensava que talvez fosse hora de tentar ‘novas aventuras’ com outros caras, a primeira coisa que vinha, involuntariamente, à cabeça era que eu não podia fazer isso porque eu tinha você na minha vida. Quando os caras vinham até mim na balada, por mais que minhas amigas achassem que seria bom eu tentar ficar com alguém diferente, eu não queria, abominava e ainda abomino a idéia. Penso em você sempre e sinto muito a sua falta. Não quero me desligar de você, até mesmo porque não tenho um bom motivo para tal. Mas eu sinto que do jeito que estamos eu não vou conseguir continuar.

Você me disse que gosta das coisas como elas estão agora porque você não me machuca. Bem, é melhor pensar de novo. Ficar longe de você me machuca. Não poder ajudar você a crescer como pessoa e ver você desperdiçar a sua vida machuca. Eu estou preocupada com você. Eu sei que você falou quer aproveitar a vida, que prefere não crescer, que quer ter histórias para contar para os seus filhos. Mas eu percebo que você está jogando fora todo o seu talento. Eu vejo você deixando passar diversas oportunidades que um dia podem fazer diferença na sua vida. Faculdade às vezes é chato?, é, não minto, eu também tenho dias em que não quero e não faço nada relacionado a faculdade. Mas eu aproveito cada outro momento que vejo na minha frente. Não só porque eu sei que eu escolhi essa faculdade e essa profissão para seguir o resto da minha vida como eu sei que não posso deixar nada passar em branco por ter lutado pela minha decisão perante os meus pais. E você está simplesmente deixando passar uma das fases mais importantes da sua vida. Não da vida pessoal, da vida que você está decidindo seguir e aproveitar toda sexta feira à noite. Mas da sua vida profissional. Dói muito ver que você não liga para a faculdade que faz, ainda mais porque isso não é brincadeira, é o que você escolheu fazer pra toda a sua vida. Você tinha uma mentalidade no colégio que eu admirava muito. Que eu chegava a invejar de vez em quando. Mas quando você entrou para a universidade, jogou tudo por água abaixo. E me entristece muito ver e perceber isso e chegar a conclusão que você está demorando demais para entender que você tem sim que se divertir e sair com seus amigos porque essa é uma fase que você nunca mais vai ter de volta, mas que você também precisa crescer. Mesmo que seja forçado. É muito ruim ver nossos amigos correndo atrás do que eles querem e ver você parado no mesmo lugar.

Você tem um talento absurdo. Eu vejo você deixar de aproveitá-lo para não perder o porre do fim de semana. Eu sou o tipo de pessoa que precisa batalhar até a morte para conseguir alguma coisa. Não sou inteligente, mas sou esforçada e me dedico 100% em tudo o que eu faço porque sei que é o máximo que eu posso oferecer. Você, ao contrário, é o tipo de cara que as pessoas matam para ter porque tem um talento e uma criatividade incríveis. Você se esforça um pouquinho só e consegue o que quer com maestria.

Dói demais perceber isso. Dói, porque eu me importo com você, porque amo você e porque quero que você tenha sucesso em tudo o que faz. E dói também conhecer você como eu conheço e saber que grande parte dessas palavras que eu escrevi aqui vão ser esquecidas na primeira oportunidade. Mas eu preciso falar o que sinto para ficar com a consciência limpa, para ter a certeza de que pelo menos eu tentei, eu me importei, se eu consegui ou não mudar pelo menos um pouquinho da sua vida com isso, eu já não ligo. Se resultado for positivo, eu saio ganhando, se não, eu saio ganhando do mesmo jeito porque disse tudo o que eu achava que você precisava ouvir. Você pode pensar o que quiser dessa carta, pode achar que eu estou sendo moralista, hipócrita, melosa, grudenta, chata. Posso até mesmo seguir a regra do “faça o que eu digo e não faça o que eu faço”. Mas eu digo aqui o que eu vejo, percebo e escuto das pessoas próximas a nós. Quem são não importa. Alguns dizem que eu não tenho mais moral para dar esse tipo de ‘sermão’ em você (que fique bem claro que isso não é um sermão, apenas preocupação), que você precisa dar com a cara na porta algumas vezes antes de se ligar do que está acontecendo, mas eu não consigo não me envolver e não me preocupar porque o que tivemos não foi um casinho-de-verão ou uma ficada de balada. Foi um namoro de três anos e quatro meses que ainda não acabou. Foi companheirismo e amizade e amor que eu não quero e não vou me permitir perder. O que eu falo pode ser chato e revoltá-lo. Mas eu falo para o seu bem. Tipo conselho de mãe.

E eu já disse isso, mas acho que preciso repetir. Eu não vou esperar para sempre. Eu não posso esperar para sempre. Eu vou te amar para sempre, disso eu tenho certeza. Mas eu não posso esperar por alguém que não quer mudar e me demonstrar isso, que não quer crescer junto comigo. Então eu preciso que você pense e chegue a uma decisão. Que você tome uma iniciativa e faça uma escolha. Eu preciso saber se vale apena esperar por você. Caso contrário, por mais que doa em mim eu vou precisar sumir da sua vida para colocar a minha em ordem. Para rearranjar as minhas prioridades e colocar você em ‘hold’ até conseguir me convencer de que isso é para o melhor e poder conviver com você sem me iludir ou machucar. É triste eu sei, mas eu não posso simplesmente ignorar tudo o que aconteceu e continuar desse jeito fingindo que não houve nada e fingindo que está tudo bem. Eu tomei a decisão de que nunca mais iria deixar de falar as coisas que eu sinto para chegar ao ponto em que eu cheguei e pretendo seguir essa escolha com punho de ferro. Não posso mais guardar tudo e deixar passar enquanto choro e sofro sozinha. Eu não agüento mais isso. Então, eu preciso de uma decisão, de um sinal, de um fim, de um ‘foda-se’ ou de qualquer outra reação que me mostre que você quer mudar e quer ficar comigo ou que você só quer me ver de novo daqui a sete anos ou que não quer me ver nunca mais. Porque daí eu vou ter que aprender na marra a lidar e suprimir o que sinto para conseguir continuar com a minha vida.

Eu não quero que você mude o seu jeito. Nunca pediria isso porque eu sei que esse é o tipo de coisa que não se pode mudar. E porque esse foi um dos motivos pelo qual eu me apaixonei por você. Mas o que eu quero é que você aprenda a se adaptar. As pessoas não podem fazer as coisas do jeito que você quer e quando você quer para sempre. Você tem que se adaptar a elas. Eu me adaptei a você. Preciso saber se você vai se adaptar a mim também. Você precisa aprender a separar as coisas, a pensar às vezes, nos outros antes de pensar em você. Você disse que quer ficar comigo o resto da vida. Que quer ter filhos e envelhecer comigo. Como você quer que eu acredite nisso se eu vivo recebendo os sinais errados? Eu não posso correr atrás de você o tempo todo. Uma hora eu posso perder a paciência e desencanar. Para o futuro acontecer é preciso de esforço dos dois. Não estou falando para você virar o tipo de pessoa grudenta e chata q eu posso ser de vez em quando, mas eu quero que você entenda que nunca é ruim demonstrar um pouco mais de interesse ou dar um pouco mais de atenção para a pessoa que você gosta. Saber separar o tempo que vocês passam juntos do tempo que você passa com os seus amigos, saber dar prioridade a um em detrimento do outro. Não simplesmente escolher entre os dois. Mas é necessário um equilíbrio. Ouvir quando a pessoa precisa falar, falar quando a outra que ouvir, são atos importantes. Dar uma opinião sincera e não brincar quando a pessoa está falando sério. Levar a sério as coisas que os outros falam. Refletir sobre o assunto. Eu preciso que você faça isso. Se não for por você faça por mim, pelo amor que você sente por mim e tome uma decisão. Converse comigo. Eu preciso disso.

Eu amo você hoje e para sempre.

 

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