Estava cansada e sem saco. Totalmente entediada e morrendo de vontade de sair correndo porta fora pra fugir do trânsito e chegar em casa mais cedo pra fazer…nada. As usual.
Ultimamente eu ando com uma dificuldade incrível de prestar atenção em coisa alguma que não seja relacionada à Disney. Isso somada aos mecanismos de defesa do meu cérebro que decidem me deixar no mundo da lua 24 horas por dia pra que eu não crie rugas me preocupando com problemas que não são meus, me faz quase babar durante as aulas enquanto eu penso no meu mais novo romance Hollywoodiano com Robert Pattinson. Não que eu deixe de estudar, prestar um mínimo de atenção nas aulas e tentar lembrar a mim mesma que aquilo tudo é muito importante pro meu futuro e um sonho que realizo todos os dias.
E daí, no meio dessas minhas divagações sem fim uma professora solta a frase “vamos lá, pessoal, está na hora de começar a nossa malhação neuronal do dia”. E depois de uma aula fantástica que conseguiu – finalmente! – me prender a atenção ela explica porque a nossa geração é tão desencanada da vida e das coisas.
Eu sempre fui diferente. Não diferente no sentido de “especial” e aquela ladainha toda, mas diferente em relação à visão que tenho da vida e de tudo ao meu redor. Nunca fui o tipo de pessoa que “não pensa”. Que prefere ficar copiando Power Point que professor pena pra fazer. Sou nerd mesmo. Gosto de fazer anotações frenéticas durante a aula não para copiar o pensamento de quem fala, mas para conseguir chegar às minhas próprias conclusões. Odeio decoreba. Eu gosto mesmo de aprender e acho super importante saber quem foram McLuhan e Habermas. Por mais que eu odeie os pensamentos e teorias malucas que os dois criaram.
Quero dizer…eu fico pensando o que essas pessoas que vão para a faculdade pra bater papo O TEMPO INTEIRO esperam da vida. Se papai tem dinheiro a mais pra você gastar…Vai jogar dólar do topo de um prédio, gasta tudo em eletrônicos que você nunca vai usar, compra um time de basquete, sei lá! Mas não faça seu pai investir numa coisa para qual você não se importa, mas que vale a vida de outros.
Se tem um coisa que consegue me irritar mais do que gente que se veste de uma cor só e acha que ta arrasando é aborrecente que paga de intelectual porque ta na faculdade de Jornalismo. Tem um comentário engraçadinho pra soltar na aula de revisão pré-prova? Bom pra você campeão, agora aproveita e muda de profissão, stand up comedy é mais adequado pra você. Por mais incrível que pareça, existem mesmo pessoas que se importam com o caminho que o mundo está tomando e o que elas podem fazer para mudar alguma coisa nesse caos sem fim que a gente vive. Eu sou uma delas. É claro que com 21 anos de idade, não existe muito que se possa fazer, mas os pequenos atos podem mover montanhas. E é assim que a gente começa.
Se você não tá nem aí pra nada, não quer estudar, nem aprender porcaria nenhuma, porque o vale mesmo é a prática, vai pro bar, colega, seu lugar não é numa sala de aula.
E digo mais, se você odeia discussões em sala de aula porque acha que isso é perda de tempo e você prefere que o professor entre na sala, dê a matéria, mande o power point pro e-mail da sala e cabô, sinto informá-lo mas seu lugar também não é na faculdade e sim em algum cursinho pré-vestibular da vida. Ou melhor ainda, no colégio. Mais precisamente no ginásio. Faculdade é um lugar onde você deve adquirir conhecimento, desenvolver o pensamento, encontrar os argumentos necessários para defender as opiniões que você forma. É lugar de bater boca com professor (no bom sentido, claro, e não partir pra ignorância) e conseguir provar que sua posição é verdadeira, correta e tem fundamento ou que existe algum dado que você deixou escapar e sua tese tem falhas que precisam ser aprimoradas.
E se você acha um saco ter que ler um livro de 400 páginas pra uma das matérias que você cursa…Eu pergunto: o que você quer da vida, cidadão? Juro, cara, se você prefere ficar em casa, no Orkut, mandando recadinho com fofoca pros amigos, ou passar a noite inteira na balada depois de uma semana inteira sentado no bar. Vai na fé, amigo, lhe dou a maior força. Mas, de novo, seu lugar não é na faculdade. Reclamar de leitura longa é RIDÍCULO. Devíamos é reclamar de não tê-la.
Sou total a favor dessa idéia de “malhação neuronal”. Pô, tem coisa mais legal do que você finalmente entender a modernidade e porque a sua geração age do jeito que ela age? Saber explicar o que isso tem em relação com o Jornalismo e porque isso vai diferenciar você de um profissional invejável de um jornalista medíocre? Sinceramente, se você não se importa, desiste do curso e usa o dinheiro do seu pai pra investir numa barraquinha de pipoca. Aposto que você vai ganhar mais desse jeito.
Prontofalei.












