Para aqueles familiarizados com a série House M.D, o título de hoje é justamente o nome de um episódio da terceira temporada.
Nesse episódio, House examina uma menina que tem uma DST e, enquanto a examinava, descobre que ela foi estuprada. Durante programa inteiro, House tenta fazer a moça falar sobre o que aconteceu com ela e ela, em contrapartida, tenta fazer o médico contar-lhe um segredo de sua vida.
O que mais me impressionou nesse capítulo é justamente a frase que da título à postagem. A garota insiste em fazer House acreditar que a vida depende das pessoas presentes em cada dia. É como se você estivesse a cada dia, presa em um quarto com um completo desconhecido. No fim das contas, o que realmente importa é o que você descobriu sobre essa pessoa, que diferença você fez pra ela e que diferença ela fez para você. Teoria idealista, eu sei, mas até que faz algum sentido.
Por mais que nós lutemos contra, sempre existe alguém, um estranho, que acaba guardado no fundo da nossa gaveta. Por quê? Bem, essa é uma boa pergunta. O que eu sei é que muitas vezes, pessoas com as quais convivemos por anos somem da nossa mente em questões de segundos, mas um ‘desconhecido qualquer’ pode ficar gravado na sua mente para o resto da vida. Como o cara que lhe passou uma cantada em plena Fnac, quando você estava acompanhada por sua melhor amiga e no seu pior dia do ano, olhos inchados de tanto chorar, olheiras, óculos, a pior roupa do seu armário. Ou do velhinho simpático que lhe alugou a viagem de ônibus inteira para contar do nascimento da sua mais nova netinha e de como ele estava empolgado em conhecê-la. Ou até mesmo do maluco do ônibus (aliás, porque sempre no ônibus?) que tem um olho de vidro e decide mostrá-lo aos passageiros em troca de dinheiro sempre que você está voltando para casa.
O que aprendemos com tudo isso?
Bem, aprendemos que mesmo quando estamos no pior dia de nossas vidas, ainda existem pessoas que nos notam. Que a felicidade é tranmisível, porque depois da história da netinha recém nascida você imagina uma linda nenenzinha nos braços de uma mamãe de cinema e sorri. E que SEMPRE, SEMPRE existe alguém que está numa situação pior que sua, mas que tira vantagem disso para entreter, impressionar, inspirar momentaneamente, invejar ou até mesmo irritar as outras pessoas do mundo.
Quem sabe realmente as pessoas desconhecidas que você conheça durante sua vida realmente façam de você aquilo que você realmente é. Ou talvez seja tudo papo-furado é você exatamente o que você é, o que as pessoas esperam de você e o que você espera de si mesmo. A questão é: por que lembramos mais dos desconhecidos do que daqueles que amamos de verdade? Bem provável que nossa mente use o esquecimento como um mecanismo de defesa, para que aqueles que se foram para sempre ou que sairam de nossas vidas de forma violenta, inesperada, ou até mesmo sem querer, e não se tornem um peso, uma culpa durante o resto de nossa existência. E por isso as filosofias de minuto acabem se tornando essenciais para que continuemos vivos e acreditando naquilo que acreditamos. Ou então, simplesmente porque elas são mesmo mais importantes. Seja o que for, cada dia que passa um desconhecido entra e sai da sua vida com a mesma rapidez e você de alguma maneira vai lembrar dele sempre, como uma força de manutenção da sua realidade e dos seus ideias de vida.
E esse é um pensamento que com certeza deve ficar escondido na sua gaveta.



do quarto paragrafo pra baixo!!!
“Como o cara que lhe passou uma cantada em plena Fnac, quando você estava acompanhada por sua MELHOR AMIGA e no seu pior dia do ano, olhos inchados de tanto chorar, olheiras, óculos, a pior roupa do seu armário. “
Só pra deixar claro, a melhor amiga tb pode ser chamada de Larissa Godoy e/ou posterior leitora assidua do escondido n gaveta.
LG