
Sempre fui uma boa filha. Não digo isso para me vangloriar sobre os outros ou qualquer coisa do tipo, mas é porque eu realmente sempre fui uma boa filha. Nunca fui mal-criada com meus pais, sempre fiz o que me foi pedido, sempre conversei nos jantares de família, ia até mesmo a missa quando era importante para papys e mamys. Nunca reclamei quando me mandavam fazer a lição de casa quando, na verdade, eu queria mais era jogar bola com o meu irmão na sala (e, no caminho, quebrar o vaso de cristal que mamãe ganhou de presente de casamento daquela tia avó que ninguém conhece). Mas eu também sempre fui o tipo de pessoa que depende demais das outras pessoas. Depender no sentido de necessidade de carinho, de atenção. E também sou uma pessoa muito difícil de recobrar a confiança uma vez que esta foi perdida.
Em algum momento da minha vida, algum que eu não sei qual foi até hoje, eu simplesmente perdi a confiança neles. Não sei o que foi que houve e sinceramente prefiro não recobrar a memória desse momento ruim, mas eu sei que isso aconteceu e agora é difícil demais para mim retomar algo que a muito já não me pertence. Apoiei-me naqueles que se dispuseram a me ajudar, meus amigos, meu namorado… aqueles que passavam horas e horas passando vídeos engraçados no Youtube só para que você desse um pouco de risada e se sentisse um pouco melhor. Fiz o que pude para conseguir passar daquela fase horrorosa em que estava e eu consegui. Superei tudo e com louvor, no melhor estilo Michael Phelps. Pena, foi não ter o apoio dos meus pais nessa minha batalha.
No fim, percebi que não era tão importante assim. Não, não é drama ou complexo de inferioridade… mas realmente meus pais tinham mais com o que se importar naqueles tempos do que com os meus próprios dramas pessoais. Foi uma fase péssima para todos nós.
Não julgo, não cobro. Eu entendo. De verdade. E simpatizo também. Mas o que eu não consigo entender de verdade é como eles acham que nada mudou, sendo que tudo mudou. Foram cinco anos agüentando aquela amargura toda. Aquela sensação de inutilidade, aquela falta de conversa aquele baixo astral. Aquela vontade louca de pedir o colo da mãe, mas mudar de idéia na hora que ela te dá a primeira patada do dia, e depois outra e depois outra… até hora que eu desisti de tentar e passei a contar mil vezes mais nos meus amigos. Meus pais ficaram no escuro em relação a minha vida. Não que eu tenha caído no mundo das drogas ou qualquer coisa assim (até porque, já deixei bem clara minha opinião sobre isso aqui). E de repente, lá estão eles, querendo saber tudo outra vez. Mas eu, infelizmente, não consigo me abrir em quem perdi a confiança.
Sempre recebi críticas, nunca elogios o suficiente. Meus pais não levam a sério o meu jeito de viver as minhas opiniões sobre a vida, os meus valores. Eles odeiam que eu faça faculdade de jornalismo. Eles não suportam o fato de que eu não sou baladeira como eles um dia foram. Eles odeiam que eu namore. A primeira (e última) vez que eu ouvi um ‘eu te amo’ dos meus pais foi quando eu passei um mês fora do país no ano passado. Recebi pouquíssimos abraços.
Meus pais são bons pais. Na verdade são ótimos pais. Talvez os melhores do mundo. Mas eles não me entendem. Não fazem questão de me entender. Eles preferem acreditar que a vida é o só o que eles acreditam e o que eles viveram. Eles não abrem espaços para novas interpretações. Minha mãe acredita mais no dinheiro do que no amor. Meu pai, mais no dinheiro do que na felicidade encontrada nas pequenas coisas. Eu acredito no amor e nos pequenos momentos felizes mais do que tudo na vida. Sou uma eterna criança presa na minha bolha repleta de unicórnios, fadas e arco-íris. O dinheiro para mim… pouco vale ao menos que eu tenha alguém que me ame e me faça feliz de verdade com quem compartilhar. Caso contrário, não vale a pena. O dinheiro traz solidão. A solidão é incurável.
Meus pais não me aceitam. E acho que esse fato vai me perseguir até o dia em que eu me for desse mundo, virar purpurina. Eles fazem pouco das minhas crenças, cobram de mim coisas que eu não aceito fazer, que eu não quero fazer. Meus pais fazem fofoca de mim pelas costas quando acham que eu não estou ouvindo.
Cheguei num ponto em que não consigo mais, por pura e espontânea verdade, contar sobre a minha vida para a minha mãe. E me sinto irritada quando ela faz perguntas de mais. Não tenho mais vontade de conversar. Não conto sobre meus amigos, meus namorados, meu anel de pureza. Sinto falta dos dias em que isso fazia alguma diferença na minha vida.
Eu amo os meus pais. Mais que tudo nessa vida. Mas não confio neles. Meramente convivo. Já conversamos sobre isso. Na verdade tivemos uma daquelas brigas sobre as quais os vizinhos do prédio comentam na reunião de condomínio. Não teve um resultado muito positivo… por alguns dias eles mostraram mais interesse, eu mostrei mais interesse, mas daí o mal-humor do meu pai voltou e tudo regrediu. As patadas voltaram e eu não tive mais paciência para continuar insistindo numa causa que eu sabia perdida. Amo meus pais. Mas eu me amo mais. E sei que essa relação de descaso (tanto do lado deles quanto do meu) me faz melhor do que as tentativas que me frustravam e me faziam chorar escondida no banheiro. Por isso me afasto. Mantenho-me longe para ficar bem comigo mesma. E não voltar ao mesmo estado de torpor em que me encontrava quatro anos atrás.
Sinceramente, pode ser uma relação complicada, com todos os seus altos e baixos. Mas para os baixos, ‘beijos, me liga!’. Eu aproveito os momentos bons que temos, sem me importar com o que poderá vir a seguir. O vazio às vezes vem… dá um sinal de vida e bate aquela dorzinha de cotovelo de Rory Gilmore e a maravilhosa Lorelai Guilmore. Mas antes suportar passivamente e de bom grado o que me faz bem, do que continuar no fundo do poço, jogando truco com a Samara.
Afinal, é para isso que serve a gaveta, não? As sensações negativas a gente guarda, acha o centro, fecha o saquinho de decepções e joga fora. Os sentimentos bons, desfrutamos com todas as nossas forças, afinal, são eles que realmente nos fazem levantar com um sorriso no rosto, prontos a enfrentar os desafios das brigas diárias, cabelos brancos precoces e frustração esquecida.


Tá eu não sou uma pessoa muito a favor do ctrlc+ctrlv,síndrome de jornalista chata talvez, mas não hà menor possibilidade de eu não sentir uma vontade louca de dizer ctrlc+ctrlv, ou soltar um eles são todos iguais só muda o nome e o endereço o meu pelo menos.Incansáveis foram as vezes que corri para o banheiro com os olhos já marejados e aquela vontade louca de gritar e dizer q eles que não sou o lixo que pintam,que suas ofensas me deixam cada dia mais down.
Ou mostrar que apenas sou diferente do que eles querem sou eu mesma e eles tem q aceitar q os tempos mudaram e que eu não sou uma miniatura deles,que eu sou única.
Mas sabe descobri também como você disse que existem amigos que servem pra mim como um colo de mãe aqueles pra quem eu falo. Eu amo vc. obrigada por tudo,obrigada por estar aqui…
Não esxite no mundo, no meu pelo menos,alguém q seja mais capaz do q vc em expressar com perfeição todas as coisas q eu acredito
Não existe ninguém mais capaz e que mereca mais do q vc, ser feliz em ter o q sonha e em ser o q quer.
Amo Amo!
Sis, você, melhor do que ninguém nesse mundo, sabe que eu te entendo muito bem. (talvez até bem demais às vezes). Nós duas já conversamos muito sobre isso na nossa madrugada, e acho que isso nunca vai mudar.
Por mais triste que seja, certas coisas não mudam, essa é, possivelmente uma delas. Constantemente minha mãe me diz ‘Ah, quero tanto que a gente tenha uma relação legal que você me conte tudo’ e eu definitivamente não quero isso.
Mas não é sobre mim, é sobre você. Você sabe que sempre (e sempre mesmo, mesmo mesmoooo) pode contar comigo, vou estar com você em um pulo, nem que seja por telefone. Nessas horas nos sobram nossos amigos, como você mesma, sabiamente, disse, e é exatamente para isso que estou aqui.
Uma ajuda a outra e a gente vai seguindo, certo? One day at a time. E sempre lembrando: ‘Nothing is gonna slow us down!’
Amo você sis, você é minha siamesa, e siamesas não se separam!!!!
É Maki, laços construídos através de vínculos mais efetivos do que biológicos, muitas vezes superam toda aquela idéia quase que mítica de pai e mãe… Eles são os donos da verdade? Não da nossa…
Mas são tão humanos quanto nós e têm todo direito de errarem, por mais que a gente sonhe que eles sejam o colo perfeito no momento mais imperfeito…
Outra cabeça, outros tempos… Eles crescerem em tempos de uma juventude que queria liberdade em relação a tudo, num certo tempo de rebeldia em todos os sentidos…. Só que quando a gente nasceu, muito já tinha sido conquistado, apesar de muitos erros, a coisa já estava mais ou menos certa, solidificada… Então a gente, mais sensível, acaba querendo fazer o caminho inverso, aquele de se preservar um pouco, de retomar valores que já foram esquecidos, de querer sentir que há muito mais do que um aqui e um agora pra serem vividos, a gente quer pensar no futuro, sem deixar de levar em conta o passado…
É compreensível a posição deles e a sua tbm… A gente tem ouvido muito isso na faculdade, né? Aquele ‘not to get involved’, evitar o stress de relações que podem ser mais pacíficas se simplesmente ficarem na inércia…
Mas amar pressupõe um tantão de conflitos, de cobranças, de tentar impor para a pessoa o seu ponto de vista, não por autoritarismo barato, mas porque o que é, na sua cabeça, o melhor, é o que vc quer pra quem vc ama… E a partir daí mais um monte de outros conflitos se originam…
Esse convívio que o vínculo de vcs impõe tem que ser amortecido as vezes pela simplicidade do silêncio, porque é melhor amortecer do que destruir… Mas nada justifica ‘o deixar de tentar’, o ‘desistir de fazer dar certo’… O equilíbrio parece difícil de ser encontrado, mas ele existe… Há um meio-termo entre participar e se intrometer, entre calar e falar demais, entre ignorar e cobrar infinitamente…
E é esse meio-termo tão difícil de ser encontrado que faz a gente acreditar que o que a gente sente é amor… Porque apesar de todas as diferenças, a gente sempre, no fundo, quer fazer dar certo. É esse amor que dá forças pra trocar sorrisos depois de uma briga horrível, pra curtir a cumplicidade do abraço depois da decepção… E os pais e nosso irmãos, mais do que ninguém, são o maior vínculo que temos com nós mesmos… Deixar que esse convívio se esvaia no stress do dia-a-dia é deixar que um pouquinho da gente se perca de nós mesmos.
Amigos vêm e vão ou vêm e ficam, mas os pais ’são e estão’ para sempre… E por mais que dancem de um jeito esquisito, pensem diferente, tenham verdades diferentes… Eles erram na intenção de acertar, na intenção de fazer o melhor.
A gente ainda tá mudando, tá crescendo, eles já se concretizaram, as mudanças são poucas… Cabe a nós, seres dotados de um cadinho da flexibilidade que a juventude ainda permite, tentar dobrar e mostrar as diferenças e fazer valer o vínculo mais valioso que temos com a gente mesmo, a nossa família.
Eu sei que é difícil… É tarefa pra muito tempo mesmo, nada é imediato… Só num pode desistir! Por experiência própria? É recompensador!
Te amo demais!
Uni
vergonha do tamanho do comentário =/
Texto maravilhoooso Maki! ;D
Pai e mãe. Tá aí um tema que sempre foi muito confuso na minha cabeça. Assim como você, sempre fui boa filha, nunca um exemplo de menina, mas também nunca uma mocinha malvada.
Meu pai é meu melhor amigo, divide as mesmas paixões que eu, e apesar de ser totalmente moralista (eu pelo menos acho), é um corintiano engraçado, inteligentíssimo que adora beber uma cerveja com os amigos, e agora com a filha (rs), além de ser o melhor jogador de futebol de salão que eu já vi.
Já minha mãe é mais complicadinha. Passei por poucas e boas com a velha já. Quase nunca concordei com nada do que ela diz, mas sempre precisei dela quando meu pai simplesmente ’surtava’ e decidia que eu não ia sair mais ou que ele não ia mais me dar aquela grana que eu precisava.
A relação com meu pai sempre foi de identificação, e com a minha mãe de oposição. Mais ou menos isso.
Depois de anos e anos discutindo, chorando, ofendendo e cobrando dela ser uma mãe que ela simplesmente não era, eu aprendi a aceitá-la como ela pode ser: nem um pouco sentimental; não consegue me acordar com um ‘bom dia’ em um tom de voz normal, só o faz gritando; critica tudo em todos (que bom que não é só em mim! =D); sempre acha que o ‘filho do vizinho’ é melhor do que a dela (que sou eu! uhuuu); se preocupa com o que os outros vão pensar; acredita que beleza é a principal qualidade de uma mulher, entre outras coisas que eu acho ABSURDAS!
Mas minha mamãe também não é uma bruxa malvada. Sempre que eu precisei de uma mãozinha em alguma coisa, pude contar com ela, mas se a situação é realmente crítica, nem penso em discar o número dela, os dedos procuram naturalmente o nome do papai no celular.
No entanto, toda vez que precisei de uma oração ou fiz manha pra ganhar algum presente foi da mão materna que saiu o esforço
Percebi que meus pais se completam e me completam.
Hoje minha mãe, dona Rosa Maria, não é minha melhor amiga, como meu pai, é a minha rainha, a luz que trilha meus caminhos.
Aprendi que nunca vou ser a filha que ela quer que eu seja, como também entendi que ela também não é a mãe que eu sonhei, mas é aquela que com certeza, eu mereço e preciso ter.
Beeijos Maki! ;*
Marcela, faz tempo que eu entro aqui, na verdade eu entrei 3 vezes, mas nunca tinha parado pra ler esse texto e, eu devo te dizer: que culhões.
Sério, não vou ficar repetindo o que você disse, ou o que as outras pessoas comentaram, mas existe isso nesse mundo, pais que não entendem. Existem também aqueles que entendem bastante (a maioria dos meus amigos de faculdade tem pais assim), aqueles que entendem até demais. E aqueles que gostariam de entender, mas já foi-se o tempo deles (no caso, os meus pais, ou melhor, a minha mãe).
Não vou falar “nós estamos com você”, porque isso soaria/seria falso. Na verdade é “ema, ema, cada um com seus problemas”, e é bom termos amigos pra se apoiar. Às vezes, eu gostaria que alguns amigos, como você, tivessem ficado mais na minha vida. E eu falo isso do fundo do meu coração, espero que você acredite nisso.
Mas, voltando ao ponto da coisa: que culhões, Marcela. Eu estou orgulhosa de você. Quando eu conseguir amar e des-amar meus pais sem remorso (e dizer pra todo o mundo o que eu sinto e o que eu deixo de sentir) eu te ligo.
um beijo, e fica bem.