
Eu, Má e Lele
Existem coisas nessa vida que são difíceis de explicar. Não sabemos muito bem quando a sua existência inteirinha pode virar de cabeça pra baixo e você se vê em um país estranho, morando com pessoas estranhas, com um trabalho estranho em um lugar surreal. Quero dizer, o que existe de comum em ver o castelo da Cinderella todo o santo dia por dois meses e meio?
E é estranho porque você pensa que essa experiência não vai mudar em nada o que você é, até que você se flagra pensando coisas diferentes e fazendo coisas que você não faria normalmente. Mais do que isso, você volta pra casa e percebe que as pessoas aqui continuam as mesmas enquanto você está num ‘lugar’ completamente distinto, com a cabeça muito mais…madura e crescida do que você achava que estaria.
Sentir saudade deve ser a pior parte, e ao mesmo tempo a melhor. Você passa horas recordando dos momentos que passou com a família do Vista Way 3305 e seus respectivos agregados (incluindo eu mesma, até duas semanas antes do final do programa). E de como era bom pegar o ônibus da American Coach sempre no horário certo e ter que andar por aí com a sua identidade no pescoço. E, meu Deus, como faz alta ver aquele maldito castelo todos os dias e programar a sua folga de acordo com o horário da Celebrate a Dream Come True Parade, o Wishes Fireworks Spectacular, o Illuminations e o Fantasmic!. Como eu sinto falta de ouvir aquela música tão familiar às oito horas da noite e pensar que faltava pouco para ir para casa, encontrar a família. Todo santo dia.
E você se vê numa rotina tão gostosa…tão, normal, que a magia toda meio que desaparece e você se vê presa nessa bolha de felicidade difícil de desfazer. Você sai do trabalho e vai pra casa dos amigos, infringe algumas leis do condomínio, vai pra casa depois do horário permitido e dorme, feliz, às duas da madrugada, para acordar as oito no dia seguinte e começar tudo de novo. Fora as incansáveis discussões sobre onde iríamos. Era melhor ir pra Downtown, dar uma volta, pro Hollywood, pra ir à Rock’n’Roller Coaster, para o Epcot, no Mission Space, no Magic ver o Wishes ou pro Animal, aproveitar a Everest?
As dores e os hematomas param de incomodar tanto e passam a fazer parte dessa sua nova personalidade, por mais triste que isso pareça, e as competições para ver quem consegue se levantar mais rápido do sofá nojento da sala-de-estar viram rotineiras. Isso sem contar as disputas para descobrir quem trabalhou mais horas naquele dia. Meu recorde foram 17.
Chega o Natal e a festa improvisada que vocês fazem cobrem a saudade de casa e lembram a nova família que se forma, que vai lhe dar auxílio nos momentos bons e ruins daquela…’viagem’. Entre batalhas com o Peru e buscas incessantes no Google por uma receita de maionese você percebe está em casa. E nada mais importa. Dali para frente, agradece aos deuses pela existência de AT&T e suas vantagens em falar de graça com aqueles de mesma operadora. E você aproveita aquela liberdade e a sensação de ser dono da sua própria vida pela primeira vez. De ter que cuidar do seu próprio dinheirinho, fazer compras no Wal-Mart toda semana e lavar roupa em algum momento. Tudo em companhia daquelas pessoas que fazem aquele lugar um lar, é claro.

Lele, Tata, Hugo, Aline, Má e eu
No Ano Novo, você se pega celebrando o dia 30 e não o dia 31, quando quatro dos seus mais novos melhores amigos (um deles não tão novo assim, mas igualmente – talvez até mais – importante) decidem ficar até as duas da madrugada no Magic Kingdom se divertindo e esperando você sair do trabalho. Você dança com Guests na Main Street como se fosse a coisa mais normal do mundo, assiste os fogos de Ano Novo com um dia de antecedência, faz as coreografias da Macarena, Cha Cha Slide e o Eletric Slide nos intervalos entre as paradas e acha a coisa mais legal da vida. E o castelo sempre lá… Observando.
E é engraçado, porque mesmo você vendo os personagens sem cabeça, Cinderella tendo uma DR com o namorado em pleno horário de almoço, Bella devorando um Subway, duas Ariel tomando um café juntas no meio da tarde e Peter Pan e o namorado trocando carinhos no horário de break, quando você se vê ‘on stage’ a magia daquilo tudo não some, pelo contrário, voltam com mais força. A consideração que você passa a ter por tudo aquilo, por todos aqueles que fazem daquele lugar, o lugar mais mágico do mundo, chega a um nível em que não existem palavras suficientes para descrevê-la. Aliás, nada daquilo pode ser descrito. É…overwhelming demais. Especialmente quando, no dia da inauguração do novo presidente norte-americano, você está tendo um dia de cão, quando sua vontade de trabalhar é mínina e ninguém, ninguém menos que Branca de Neve, sim, ela mesma, pergunta se pode sentar-se com você, uma vez que todas as outras mesas estão ocupadas. E aquele momento faz o seu dia inteirinho valer a pena. Ainda mais porque ela consegue ser a pessoa mais simpática do planeta e diz, na cara dura, que você deveria fazer uma audição para ser princesa, porque você é simplesmente linda. Não só isso, mas o amigo gato – hétero e, talvez, um dos princípes – dela confirma tudo e diz que você poderia mesmo ser uma princesa. Pronto, dia feito e lá está você no topo do mundo outra vez.
Fora o magical moment de Branca de Neve, a família que se forma lá também tem esse efeito sobre você. O dia está ruim? A Má vem com aqueles abraços reconfortantes e as loucuras tão comuns a mim para me fazer sentir melhor. A Letícia aparece na sala com cara de desespero, porque, mais uma vez, ela vai ter que colocar a meia-calça dela pra lavar porque o chulé está demais para qualquer ser humano agüentar. A Paula chega em casa, ainda de costume, com algum babado novo pra contar, enquanto a Aline, desesperada, começa a limpar a casa porque no dia seguinte temos inspeção. O Daniel aparece do nada, largando as coisas dele pelo meio do caminho, como se estivesse em casa. O Hugo, não sabe muito bem o que está fazendo ali, mas está se divertindo ao descobrir, um mês depois que eu ainda não morava no 3305. O Fernando não sabe muito bem se ajuda a Aline a limpar ou se continua contando sua versão distorcida de alguma história. A Tatá solta palpites do que podemos fazer aquela noite enquanto fala com o namorado no Skype. De novo. O Guilherme andou sumido por um tempo, mas aparece, do nada, falando que tá faminto e que quer ir comer no Wendy’s. E é essa loucura quase todos os dias, que fazem cada momento daquela maluquice de largar a faculdade por um trabalho na Disney valer a pena.

Tatá, eu, Fernando, Daniel, Paula, Lele, Guilherme e Japa
Aliás, qualquer coisa valeria a pena.. desde que você tivesse aquela família para quem voltar. E aquele castelo para idolatrar todo o santo dia.
Afinal, all it takes is courage, trust and a little bit of pixie dust to make your dreams come true.
Os sonhos da minha gaveta se realizaram. Até mesmo aqueles que eu nem sonhava em ter. E os seus?
How long will it take for you to wish upon a star?


É sis, quem diria…. Sabe como o Walt sempe diz que ‘It all started with a mouse’??? Pois é, pra gente isso tudo começou no ônibus mesmo….
Como a gente podia imaginar que tantas palestras depois, tantos planos, tanto stress e tanta dúvida, a gente viveria tudo isso que a gente viveu?! Incrível não?
E o que mais dizer sobre isso? Ganhamos uma família nova, moramos juntas, ficamos independentes. O que mais eu poderia querer dessa viagem?
Vou sentir saudade do castelo e da família 3305, acima de tudo. Apesar de estarmos longe, sempre estarão no meu coração.
Obrigada por ter me aberto os olhos, e por embarcar nessa aventura comigo! Amo muito você!
Vou escrever uma frase bem clichê, mas que se encaixa perfeitamente no que foram esses três meses de Disney: A vida é uma caixinha de surpresas.
E não apenas pelos acontecimentos que ela nos trás, mas pelas pessoas que ela nos oferece.
A palavra que posso usar pra esse programa é “saudade”. Saudade de vc, de todas as meninas, dos meus roomies que histórias tenho de monte pra contar, do Wendy’s, do 50% de desconto, enfim… de viver, como vc mesma disse, naquela bolha na qual nos metemos.
Agradeço por tudo. Mas tudo M-E-S-M-O. Aquilo tudo que aconteceu vai ficar pra sempre na minha memória e por isso posso dizer que seremos amigos para sempre. Amigos pra ficar falando merda, rindo incansavelmente de coisas ridículas, de jogar Clue e, principalmente, de ter a sua casa como minha.
Um beijo enorme e agora vamo que vamo que a realidade nos espera. Eternamente no meu coração…
Que lindo esse texto, e as fotos também, não poderiam ser melhores. Foi tudo incrível, do começo ao fim, o trabalho, as pessoas, o lugar… Agora que passou, vejo que a parte difícil, da saudade, da adaptação, foi necessária pra transformar essa viagem em uma experiência única. Sinto saudades de tudo também, do Wendy’s, das idas ao Magic só para ver Wishes, do meu uniforme gracinha de conchas, mas sei que isso foi só o começo de uma grande amizade com a família 3305. Sei que são pessoas que vou carregar pra sempre no meu coração, porque tenho lembranças maravilhosas com elas.
Mas devo fazer um comentário porque não concordo com a citação de que eu estava de novo no skype com o meu namorado sem falar da Lele no Nextel com o Malan!!!!!! Ele bateu todos os recordes de insistência! hahaha
Um beijo para todos! Não vejo a hora de rever vocês pra ver que o sonho foi realidade.