Feeds:
Posts
Comentários

 

 

Estava eu lendo um dos posts que a minha querida e amada Cíntia escreveu sobre músicas bregas. Não exatamente músicas bregas, mas sobre aquelas músicas antigas que a gente adora ouvir de vez em quando e que fazem nos fazem dançar feito retardados mentais na frente do espelho.

 

Decidi então, num lapso da minha mente maluca, procurar por músicas que eu não ouvia há muito tempo e colocá-las no meu Ipod para aqueles momentos remember.

 

Enfim, aconteceu que eu estava no ônibus, ontem, voltando para casa e começou a tocar Kong Fu Fighting do Carl Douglas. Não sei dizer exatamente porque, mas essa canção tem o mesmo efeito em mim do que as músicas do filme Grease (por sinal um dos meus favoritos). Mal começaram aqueles instrumentos orientais com a conhecida melodia e aquela vozinha de fundo com a sucessão de ‘ôôôhhs’ tão característica e eu despiroquei total. Assim, eu sempre fui uma pessoa conhecida pelos micos que pago e bem, dessa vez não foi diferente.

 

É porque para mim a música é sinônimo de vida. Cada momento que eu passo tem uma canção específica. É como se eu existisse um radinho sintonizado na minha estação 24 horas por dia, sete dias por semana, e ele lembrasse de uma música para cada instante importante da minha vida. E se tem uma coisa que eu amo é colocar o fone de ouvido e desfilar pelas ruas me achando a última bolacha do pacote. Patético, eu sei. Mas eu acho tão legal você estar se sentindo bem consigo mesma e sair por aí sem importar com nada nem ninguém, rindo das pessoas fazem caras incrédulas para a sua atitude um tanto quanto incomum. Quero dizer, sem música a minha vida não teria graça alguma.

 

E então lá estava eu, me sentido a Gisele Bundchen na propaganda da Vivara (com direito a voltas e jogadinhas de cabelo) quando um inoportuno senhorzinho tocou o meu ombro e pediu para eu, por favor, cantar mais baixo pois estava atrapalhando a viagem dos demais. Sim, sim, podem rir, eu deixo, isso realmente aconteceu. Eu estava lá tão profundamente perdida no meu momento diva que comecei a cantar Kong Fu Fighting, em alto e bom som, em um ônibus lotado. Mais uma vez, patético, eu sei. Mas acontece nas melhores famílias (eu duvido, mas afirmar que isso realmente acontece nas melhores famílias e que qualquer um pode pagar um mico desses me conforta absurdos). Eu fiquei tão chocada e tão envergonhada que comecei a rir feito, uma retardada mental e a situação ficou ainda mais patética quando os passageiros começaram a rir junto comigo.

 

Desci do ônibus sem saber onde enfiar a cara. Estava tão envergonhada que acabei também descendo dois pontos antes do que normalmente desço para ir para casa e acabei tento que fazer uma caminhada absurda até chegar em casa, na qual o meu ‘momento ridículo’ me perseguiu por todo o caminho. E, doida como sou, não consegui parar de rir durante toda a caminhada e o resultado foram mais pessoas avulsas rindo da minha atitude avulsa num ciclo sem fim (ou melhor até eu chegar em casa, quanto eu tive aquela gargalhada gostosa final e joguei o pensamento para o fundo da gaveta a fim de retomar o meu auto-controle e lucidez).

 

Mas sei que, no final das contas eu não me arrependo de pagar esse micos (mesmo que eu esteja sozinha). Quero dizer, se eu viver séria e estressada como a maioria das pessoas dessas cidade eu vou realmente enlouquecer (isso se a convivência com essas crises urbanas já não adiantou a fase senil da minha vida). Então é por isso que eu também sou conhecida por meu gosto completamente maluco por músicas.

 

Quem me conhece a primeira vez sempre tem a impressão de que eu sou quietinha, meiga e educada. Mal sabe que eu sou uma amante de punk rock, viciada em desenhos animados, escandalosa que nem pato em dia de coleta de patê de fígado e que adora ouvir  um breguinha de vez em quando. Tipo as músicas do High School Musical, das quais eu sei até as coreografias e não tenho vergonha de dançar quietinha na volta para casa (acho que o ônibus virou meu purgatório), ou as canções da Hannah Montana, quando eu me sinto A super rockstar como a direito a solos de guitarra imaginária, ou então aquela música que eu amo do The Police que me sentir total a última bolacha e na qual eu me sinto absurdamente honrada pelo Sting ter escrito uma canção tão linda pra mim.

 

Ou então quando eu estou num momento realmente remember e escuto escondida as músicas dos Backstreet Boys, N’Sync, Five, Molejo e até mesmo daquela dupla pouco conhecida da minha infância a Sandy & Júnior com aquela música que eu nem obedecia como se fosse a bíblia, “Vamos Pular” (piada interna total! Né, não siamesa?). Rola até um momento especial para as melodias do rei (vai meu rei! Piada interna de novo!), Roberto Carlos, Ou aquelas canções bem antigas do Rádio Táxi (“E eu canto bem alto…Evvvaaa!” – essa é tão velha que nem minha mãe conhece!) e da época da ditadura militar que eram cheias de mensagens subliminares que os censores imbecis nunca encontravam (por favor, mais explícito do que ‘afasta de mim esse cálice’ não existe!) e que passam um sentimento meio de nostalgia daquilo que você nunca passou mas gostaria de ter vivenciado.

 

Eu acho que o mais legal de tudo isso é o poder que a música possui. Como quando você está puta com o mundo e coloca o fone de ouvido e põe YMCA pra tocar e não resiste a força que vêm de dentro que te faz dançar loucamente e incentiva a chamar as amigas mais próximas a dançar junto, mesmo que elas não estejam ouvido a música com você. E até mesmo quando você desistiu de lutar contra a vontade de despirocar totalmente e dança horrores na frente do espelho do banheiro e sua mãe pega você no show imaginário patético, e quando você percebe que ela está li finge que não é com você e começa a pentear o cabelo como se nada tivesse acontecido.

 

Ah, o que seria do mundo sem a música e os micos traumáricos?

 

 

 

Você provavelmente nunca ouviu falar dela, mas deveria começar a buscar todas as informações sobre essa norte-americana no Google.

Hannah, cujo verdadeiro nome é Miley Cyrus (que originalmente se chamava Destiny Hope Cyrus, mas mudou o nome para adotar o apelido que o pai lhe deu quando criança) é de uma pequena cidade chamada Franklin localizada no estado do Tenesse, no sul dos Estados Unidos. A garota, de 15 anos, é filha do famoso cantor country Billy Ray Cyrus e nasceu no dia 23 de Novembro de 1992. Nova como é, incrível acreditar que a jovem conseguiu o papel principal numa serie que hoje é a mais famosas do canal Disney Channel.

A série da qual Miley é protagonista possui o nome de Hannah Montada. E daí surge a pergunta: porque diabos essa menina é conhecida mais pelo nome da série que faz do que pelo nome verdadeiro? Justamente porque o seriado da moça baseia-se na seguinte idéia: a personagem principal, Miley Stuart, é uma menina normal que muda de sua cidade natal para a bela Malibu e além de ter de adaptar-se a vida em uma nova escola, com novas pessoas e amigos, ela também tem de adequar-se à sua vida como uma superstar. Essa superstar é na verdade um disfarce da esperta Miley, o qual ela nomeou de Hannah Montana. Logo, no mundo artístico ela é Hannah e no mundo ‘normal’, Miley, uma garota que, como a grande maioria da população mundial, precisa aprender a lidar com a vida colegial.

Agora você me pergunta: mas porque você está contando toda a história dessa garota para nós? E eu responderei: queridos leitores, Miley Cyrus é a diva pop do mundo atual e, a meu ver, ela é também protagonista de uma polêmica que não faz jus a moral da moça.

A filha de Billy Cyrus teve, na estréia de seu programa, uma audiência de 5,4 milhões de pessoas. Ela já é considerada uma das pessoas mais ricas do mundo e, só no ano passado, já arrecadou US$ 18 milhões de dólares. Diversos famosos já tiveram seus quinze minutos de glória no seriado, tais como o cast de High Scholl Musical, Jesse McCartney, e Jonas Brothers. Ela já lançou dois CDs que estiveram na lista dos mais vendidos no mundo, um filme 3D (que eu devo dizer é demais, e que levou as crianças à loucura no dia de estréia – tanto que as três sessões do dia e do dia seguinte já estavam praticamente lotadas horas antes de seu início), e jogos para videogame. Há poucas semanas, ela fechou um contrato milionário com a Disney Book Group para a divulgação de sua biografia. Eu já mencionei que ela tem 15 anos, não?

Ela vai à missa todos os domingos desde que se conhece por gente e doa pouco mais de mil dólares por semana para Igreja que freqüenta. Os pais a acompanham em todos os lugares que vai. Ela já participou de um programa da ícone Oprah Winfrey (que eu acredito ser um símbolo de alta popularidade).

Agora, vamos aos fatos. A nova queridinha da América foi, a pedido da revista Vanity Fair, fazer um ensaio fotográfico juntamente com o seu pai. Que fique claro desde já que os familiares de Miley estavam com ela na sessão fotográfica. Muito bem, como todos nós conhecemos a mídia, ela teve o seu papel nessa história fazendo as fotos caírem na rede e não, satisfeitos, começarem uma polêmica sem fim. A foto, tirada por Annie Leibovitz, você vê a seguir.

Convenhamos, a foto está mais do que bonita. E eu não vejo nem um pouco de malícia nela. É uma foto simples, inocente e maravilhosa. Mas os jornais e revistas insistiram em dizer que a jovem parecia estar de topless na foto. Continuavam dizendo que as fotos eram indecentes e inconvenientes para quem ela é. Não só isso, mas milhões de fotos pessoais da garota (também consideradas indecentes e impróprias) foram divulgadas na internet, causando um grande alvoroço sobre a imagem da menina. O mais engraçado de tudo isso e que não houve reclamação de pai (ou mãe) algum sobre o assunto. A única participante desse grande circo foi a própria mídia. E foi justamente isso que me intrigou mais.

Estava demorando muito até a imprensa achar alguma coisa para cutucar a musa teen. Ela era perfeita demais para ser verdade. E devemos concordar, ela está completamente errada. A começar pela revista. Que eu saiba Vanity Fair não é uma revista para crianças e sim para mulheres adultas. Segundo, tudo o que atriz faz que diz respeito a aparições públicas devem ser aprovadas pela Disney, o que significa que a empresa estava ciente da sessão de fotos e que aprovava o ensaio. Terceiro e já citado (mas não custa nada enfatizar) o pai de Miley estava presente na hora das fotos, poxa!

Eu acredito que toda essa balburdia que a mídia está fazendo com as fotos de Miley é anti-ética, mas isso acho que é mais do que óbvio, pois tudo o que a maior parte dos meios de comunicação fazem hoje quebra alguma regra da ética. Segundo Leibovitz, fotógrafa, objetivo não era ‘sexualizar’ a imagem da protagonista de Hannah Montada (a própria Disney, indiretamente, já o faz colocando a moça para cantar e dançar usando roupas de colegial, uma conhecida fantasia sexual masculina), mas sim mostrá-la de outro jeito, como Miley Cyrus, a moça que, devemos concordar, não é mais criança e possui uma tendência aparentemente anormal de crescer. Gente, como pode uma menina dessas crescer e tirar fotos que mostrem ela como realmente é! Estou tão chocada que poderia me jogar da janela nesse momento.

O que eu acredito que acontece é que a mídia e a população geral do mundo está tão centralizada em detalhes supérfulos e fechada num mundinho hipócrita e imaginário no qual tudo o que é perfeito deve ser destruído caso não siga as ‘wanna-be regras da sociedade’. Regras essas que existem só na teoria. Quero dizer, se você menina, nunca tirou fotos provocativas para postar no fotolog, favor enforcar-se. Eu já tirei fotos piores que as de Miley Cyrus, e não tenho vergonha de dizer que os fiz. Claro nunca dei uma de Vanessa Hudgens, mas sim eu tirei fotos que podem ser consideradas pelo menos um pouco indecentes. E eu tenho amigas que também já os fizeram. E eu considero isso uma forma de auto-conhecimento. Você aprende a se valorizar e descobrir seus pontos altos e baixos. Quero dizer se uma pessoa começar a ser julgada pelo simples fato de tirar uma foto que valorize seus atributos (e, por favor, não me entendem mal, valorizar é uma coisa, vulgarizar é outra totalmente diferente e a qual eu abomino) o que dirá das roupas que as mulheres usam e as ‘danças’ que elas executam nos clipes de rap norte-americano. Engraçado não, ninguém fala das mulheres dos clipes musicais que cada dia mais desvalorizam e tratam as mulheres como objetos sexuais. O que dirão então das Lindsay Lohans e Amy Winehouses da vida? Quero dizer, Lidsay Lohan tem um contrato com a Disney e nem por isso ela é tão ridicularizada e criticada como é Miley. E Lindsay fez filmes que, pelo menos para a minha geração, tiveram papel importante na minha infância. A meu ver, a foto de ‘Hannah’ está maravilhosa e mostra como a jovem é bonita e ciente do que está fazendo (deixo claro que a Disney obrigou a moça a pedir desculpas pelas fotos da revista e escondeu a moça por alguns dias até a poeira baixar). Se o pai dela, que estava presente na sessão de fotos, não reclamou da produção então porque o resto do mundo deveria?

Aliás, porque o resto do mundo se importa tanto com essa foto? A jovem é sim um ícone pop e ídolo e exemplo para milhões de crianças do mundo, mas educação se aprende em casa, moral se aprende em casa. Podemos até aprender algumas coisas pelas experiências que vemos nossos ídolos passarem na televisão, mas as nossas raízes, todos os nossos valores e éticas, isso devemos aprender com nossos pais e em nossa escola. Se deixarmos na mão de televisão todo o aprendizado dos jovens, estaremos totalmente perdidos. A televisão, e a mídia em geral, vulgarizam e sexualizam a vida. Não existe mais infância. Tudo o que temos são garotas de dez anos de idade usando saltos altos, roupas de marca, maquiagem e comendo diariamente uma quantidade total de calorias equivalente a uma balinha de menta.

Vocês precisam me desculpar, mas pela moral que eu recebi e aprendi uma foto não é nada comparado com o problema maior que todo mundo se recusa a ver e a imprensa insiste em martelar em nossas cabeças. Minha gaveta está de ‘saco cheio’ dessa falta de interesse pela população e competição por furos, apelação para conseguir audiência e maior número de exemplares vendidos. Acho que todo mundo tem um pouco de revisão de prioridades para fazer não?

 

Comecemos com um pequena, porém importante, afirmação. Soja não dá leite.

Alguma vez na vida você já se deparou com um conjunto de sojas felizes em seu campo cultivado com grama fofinha, girassóis cantando canções de amor e o sol sorridente? Já viu as pequenas sojinhas, recém-chegadas ao nosso mundo,  amamentado-se dos…”seios” (?) fartos de sua mamãe soja? Não, é claro que não, justamente porque isso não acontece. Porque sojas não são mamíferos, não possuem o mesmo mecanismo que as mamães vaquinhas têm, e com toda a certeza do mundo, não produzem leite.

Soja produz suco. Na verdade, acho que nem mesmo suco, está mais para um caldo. Talvez alguma coisa um pouco menos apetitosa. Sopa de feijão de soja. Colocado em potinhos bonitinhos e errôneamente intutulado de ‘leite’. Humpf.

Não tenho nada contra os vegetarianos ou amantes dessa leguminosa da família Fabaceae ( a mesma do feijão e da lentilha). Aliás, admiro a coragem daqueles que decidem revogar os desejos carnívoros do homem e adotar uma dieta saudável, que você provavelmente levará até os 110 anos de idade e que é extremamente triste, uma vez que o lindo, maravilhoso, absoluto e necesário chocolate estará certamente cortado da vida fitness. A não ser é claro, os doces feitos com leite de soja. Que na verdade é sopa de feijão de soja. E o que faz o chocolate parecer um tanto quanto nojento (humm… quem sabe esse tipo de pensamento não crie um novo tipo de dieta: ‘emagreça com chocolate de soja!’- eu com certeza iria emagrecer horrores! eca!).

Enfim, eu não sei o que tanto atrai as pessoas no tal leite de soja imaginário. Sim, ela é um legaminosa originária da China, rica em proteínas, utilizada na produção de diversos alimentos e é tão nutritiva a ponto de ser usada em ações missionárias na África, para tratamento de crianças desnutridas. Também é verdade que a commodity de soja é uma das mais valorizadas nos dias de hoje e que o nosso país, nossa pátria amada Brasil é a segunda maior produtora dessa usupadora agropecuária, atrás apenas dos Estados Unidos, e à frente de Argentina, a própria China e Índia. O “leite de soja” é de fácil digestão, não contém colesterol e tem menos gordura que o leite de vaca, tem baixo teor de açúcar e não possui lactose.  

Tudo bem, esse tipo de coisa chata e saudável que os médico repetem de pés juntos que deveriamos fazer até a hora de deitarmos no túmulo (mas que eles raramente fazem) é muito legal e bonitinho na teoria. Na prática é diferente. Nos EUA 80% da soja produzida é trasgênica. Isso mesmo, transgênica, genéticamente modificada. Ou seja além de sopa de feijão de soja, o leite de soja é uma sopa de feijão de soja alienígena (Desculpem mas eu simplesmente não consigo pensar que estou comendo soja com genes de milho, ou carne com genes de algodão. É tudo estranho demais para mim). Na Argentina o número sobe para alarmantes 98% de graõs trangênicos. No Braisil, 8% da produção do grão é genéticamente modificada. Não só isso, mas em estados como o Mato Grosso e Goiás, kilometros e kilometros de floresta estão sendo desmatados para dar lugar aos pastos. O que a soja tem com isso? Bem a soja empurra o gado que empura a floresta. E a floresta sempre perde é claro. Concluindo, leite de soja é uma sopa de feijão de soja alienígina e assassina da fauna e flora do planeta. E ainda tentam me convencer que isso faz bem para a saúde.

Tá, eu até posso estar exagerando um pouco (o que não é lá grande novidade), mas eu simpelsmente não consigo associar a idéia de que um legume produz leite. Vacas produzem leite. Cabras produzem leite. Até mesmo baleias produzem leite. Agora soja não produz leite. Filhotes de soja não existem e não são amamentados por suas wanna-be-mamães-soja. Na minha gaveta essa idéia não entra. Leite de soja não existe e ponto final. E ai daqueles que tentarem me covencer do contrário.

Humpf. Leite de soja. O homem não tem mais o que inventar não?

Franklin Delano Roosevelt, presidente dos Estados Unidos de 1933 a 1945, anunciou no dia 8 de dezembro de 1945 o ataque japonês à base naval de Pearl Harbor ocorrido no dia anterior.  “Ontem, 7 de dezembro de 1945 – um dia que viverá na infâmia- os Estados Unidos da América foram subitamente e deliberadamente atacados por forças navais e aéreas do Império do Japão”, disse em seu famoso discurso. Roosevelt foi o único presidente que governou por 4 mandatos. De acordo com a 22º Emenda da Constituição norte-americana, continuará sendo o único. Ele recuperou seu país da famosa crise de 1929, causada pelo ‘crack’ da bolsa de valores de Nova Iorque. Ele tinha poliomielite. Ele foi um grande homem.

 Não só ele como muitos outros grandes homens e mulheres da história.

Para mim, vivemos hoje, todos os dias, dias que viverão na infâmia.

Gostaria de ter vivido na época em que Mahatma Gandhi formou-se idealista e fundador do estado moderno indiano. Quando ele começou a divulgação do movimento de Satyagraha, isto é, da não-agressão, da forma não-violenta de protesto como meio de revolução. Gostaria de ter vivido na época em que Mahatma, ou a grade alma, moveu multidões para promover a indepência de seu país, até então sob tutela inglesa.

Gostaria de ter visto Martin Luther King mobilizar Washignton e dizer com sua voz forte e comovedora que ele tinha um sonho. Um sonho de ver não só a nação norte-americana, mas todas as nações do mundo como iguais, não impotava a cor, o sexo ou a idade dos indivíduos. Ele era um pastor da Igreja Batista, assassinado injustamente em 1968. Ele defendia a igualdade, a justiça e os direitos civis e foi o homem mais novo a ganhar um prêmio nobel da paz em 1964.

Eu gostaria de ter presenciado o movimento antiapartheid que o advogado da África do Sul, Nelson Mandela, comenadou na década de 60. Ele foi condeno a prisão perpétua em 1963. Nunca desistiu do sonho de igualdade entre as cores no seu país. Foi eleito presidente em 1994, ganhou um Prêmio Nobel da paz em 1993. 

Meu sonho era ver Jimi Hendrix, Janis Joplin e The Cure no Woodstock, ter vivenciado o movimento hippie, com toda sua contracultura, oposição à cultura e à classe média norte-americana, à Guerra do Vietnã. Queria ter vivido em comunidade ser uma nomâde, queria ter comandado protestos em favor da paz.

Queria ter visto o ataque à França domida pelos nazistas no dia 6 de junho de 1944, no conhecido Dia D. Queria ter comemorado a queda de Hitler, o fim dos campos de concentração, a recuperação de um continente inteiro.

Gostaria de ter visto a contrução e a emocionante derrubada do Muro de Berlim. Queria ter participado da reunião de famílias por anos separadas, de lados de uma mesma cidade completamente diferenciados pelos regimes que seguiam.

Gostaria de ter visto Vargas,  Castelo Branco, Médici, Costa e Silva, Geisel e Figueiredo entrarem e saírem do governo brasileiro, em tentivas bem-sucedidas, e em muitos momentos frustradas, de implação de linhas ditatoriais de comandar o país. Queria ter participado das Diretas Já, combatido o AI-5, confrontado a polícia atrás dos direitos que eram meus desde que me conhecia por gente.

Quera ter pintado a cara de verde e amarelo e ajudar a derrubar um presidente corrupto anos depois.

Queria que o meu país voltasse a ter a participação política que teve no passado.

Atualmente, vivemos o fim da história. Estamos cômodos, obesos, anorexicos, conformados. Não vemos mais invenções incríveis. Não damos valor ao que temos, não ajudamos os outros, não lutamos por aquilo que queremos. Simplesmente nos deixamos estar. 

Queria ter visto a invenção do rádio e acompanhado o início de sua trajetória. Ter presenciado as primeiras projeções e assistir Audrey Hepburn, Gene Kelly e Marilyn Monroe no cinema. Gostaria de ter acompanhado as grandes descobertas e revoluções do homem. Queria que não fôssemos tão dependentes da internet e que tivessimos acapacidade de ler mais livro, especialmente as grandes obras do mundo.

No tempo atual, esquecemos nossa verdadeira essência. Esquecemos o lado belo da humanidade, o lado forte, o lado solidário. Focamo-nos apenas no lado hipócrita, capitalista, interesseiro. Não são mais grandes homens que ocupam o cenário internacional, mas sim grandes empreendedores. As morais e valores humanos tão defendidos e conquistados a ferro e fogo por nossos ancestrais jogados ao fundo da gaveta em troca de alguns dólares a mais na poupança. Antes o mundo celebrava nossas vitórias, hoje ele reza para continuar vivo daqui a alguns anos. Devemos nos lembrar daquilo que esquecemos e fazer de tudo o que pudermos para voltar as antigas raízes. Aquelas que estão longe do comodismo e da indiferença e mais próximos do ativismo e da participação política. Todo grande homem começou em algum lugar. Acho que está mais do que na hora de começarmos a pagar nossa dívida benéfica para aqueles que se reviram no túmulo toda vez que ignoramos um direito e um dever naturais a nossa sobrevivência em sociedade. O planeta não viverá muito mais se continuarmos assim. Sempre foi e sempre sera nossa responsabilidade cuidar não só dele, mas de todos os seu moradores. Já passou o momento de calmaria, precisamos agir. O problema não é como, mas sim quando. A preguiça e a alienação nos impedem. Uma pessoa pode comear uma revolução, mas sozinha, ela não passa de uma mosquinha incômoda no ouvido do gigante Big Brother que toma conta do mundo.  

Já parou para pensar que estamos tão perdidos em nossa própria existência que mal paramos para pensar naquilo em que o mundo está se tornando?

Hoje terminei de ler um dos livros mais fantásticos da história da literatura. O Ensaio sobre a Cegueira, de José Saramago é a obra mais angustiante e verdadeira que eu já tive o prazer de folhear. Tudo o que envolve a escrita desse incrível autor me impressionou de uma maneira inexplicável.

Na obra, Saramago discursa sobre a cegueira branca que atacou uma cidade inteira. Nem preciso dizer que a cegueira é, obviamente, uma metáfora para a falta de visão real que a população de hoje defende. É como quando focamos um ponto fixo mas não o vemos de verdade. Vivemos nesse mundo no qual tudo o que importa somos nós mesmos, nossos sonhos, nossas vontades, nossos sucessos e fracassos. Em alguma parte da história da humanidade perdemos a capacidade de viver em comunidade como antigamente. É o aquecimento global que todos sabem existir, mas com o qual poucos se importam ou não acham tempo para tal. É a invasão de países para a imposição de um único modo de pensar. É a opressão àqueles que são considerados inferiores a nós. É a invasão do Iraque e o massacre no Tibet.

Estamos sempre com pressa, sempre atrasados para fazer alguma coisa. Nunca fazemos nada direito, nunca estamos completamente concertrados. Somos a geração multimídia que vê o mundo pela tela de um computador em vez de olhar por nossas janelas. E não acredito que haja uma maneira de mudar tudo isso. Afinal, nós sempre estamos certos, errados estão os outros; não temos problemas os outros é que são loucos. Como diz Saramago, somos metade ruindade e metade indiferença.

O diferencial da obra em relação a vida real? A mulher do médico, única personagem da obra que pode ver durante todo o tempo. Ela é a testemunha do verdadeiro amor, da existência da solidariedade e compaixão. A única pessoa que não se deixou levar pelo medo e pelo pânico coletivo, que lembrou de preocupar-se primeiro com a pessoa que ama e depois com si mesma. Como disse meu professor de Comunicação e Expressão Verbal na aula de hoje, a mulher de médico não fica cega por já conhecer a si mesma. Ela sabe os limites que têm, ela sabe até onde deve ir para que os outros fiquem bem. Ela é o olhar daquele que não enxerga.

E acho que esse é o nosso verdadeiro dilema. Não somos conhecidos como indívios, mas sim um coletivo. Não somos diferentes, na verdade somos todos iguais, influenciados pelas mesmas pessoas, pela mesma mídia, pelo mesmo desenvolvimento interminável das novas tecnologias. Não sou conhecida como Marcela, amante de desenhos animados, literatura e música, idealista de plantão, eterna criança, mas sim como mais uma aluna de jornalismo que provavelmente passará o resto da vida pulando de emprego em emprego até encontrar aquilo que realmente gosta de escrever. Afinal, não é o que acontece com a maioria dos profissionais da minha área?

Acredito que o que mais faz falta para nós é essa viagem de auto-conhecimento. Somos todos cegos, pois não vemos a nós mesmos, não vemos aquilo que nos cerca. Não vemos nada que não tenha respeito a nossa pessoa.   Acho que seria mais do que necessário uma ‘cegueira branca’ para nos purificarmos, conhecermos nossos limites, nos reinverntarmos.

Mas no fim, acredito que o pior disso tudo seja saber que temos esse defeito, essa nossa falta de visão das coisas e não saber o que fazer para mudar. Talvez estejamos presos tão fundo nesse poço que sejamos incapaz voltarmos ao inicio.

Esse provavelmente será um dos único pensamentos qu eu não colocarei na minha gaveta. Quem sabe se pensarmos bem sobre o assunto consigamos chegar em alguam solução para esse nosso problema existencial. Ou quem sabe continuaremos sem ver até que uma epidemia de cegueira branca os ataque e nos faça ver o que é realmente importante.

 

 

Certo, e eu sou Papai Noel.

Não sei porque nós mulheres temos essa cega fé de quando um homem diz que vai ligar ele realmente vai ligar. Se ele atrasa uma hora, deve ter perdido a noção do horário no trabalho; se atrasa um dia, deviria estar muito ocupado, e se atrasa uma semana ele não teve tempo de parar em casa tempo suficiente para fazer uma simples ligação. Somente um mês depois de muita espera e paciência, chegamos a conclusão que ele é um canalha.

Para mim não existe nada pior do que uma promessa de ligação não cumprida, ainda mais se a pessoa em questão é alguém que eu realmente gosto. Acredito que não existe nada mais patético do que ficar horas e horas do lado de um telefone, pensando porque diabos ele ainda não ligou. ‘O que há de errado comigo?’, ’será que eu falei alguma coisa errada?’, ’será que ele não gosta mais de mim ?’. A expectitava simplesmente mata. É realmente cruel deixar uma moça de fino trato como eu esperando (modesta? magina!). E o pior de tudo é uma coisa que eu não consigo controlar. Acho que faz parte da natureza femina. Essa nossa vontade absurda de acreditar q no fim tudo vai dar certo.  

Acho que é o mesmo sentimento de proteção e esperança que as mulheres sentem durante uma guerra (e lá vem o meu grande dramalhão mexicano!). A vontade é que nossos queridos e amados homens voltem sãos e salvos do campo de batalha. Que tudo acabará bem, que os forços da nossas preces farão com que o conflito acabe de uma hora para a outra.  

E para resumir a epopéia, ficamos desoladas, num sábado à noite, assistindo filmes mela-cueca, comendo todos os doces que encontramos em nossas casas, com o celular na mão o tempo todo. E ainda ficamos nos estressando achando que o problema é conosco. Claro que não! Uma coisa que eu acho essencial entender é, que se somos completamente neuróticas e ciumentas e com cabelos brancos constantemente escondidos por quilos e quilos de tintura capilar, é tudo culpa da ligação que eles não fizeram. Se o cara super gatinho da balada não liga no dia seguinte, você provavelmente fez alguma coisa errada.  Se o namorado não liga no dia e na hora combinados, ele está aprontando alguma ou simplesmente esqueceu de você porque no momento tinha algo mais importante para fazer. E se seu marido não liga para dar uma satisfação de onde se encontra… bem, acho desnecessário comentar.

Mas o que eu se de tudo isso é que qualquer neurose nossa é obviamente culpa do ego masculino, que espera que nós fiquemos atrás deles como cachorrinhas esperando o dono ter vontade de nos ceder um pouco um de carinho. Acho que está mais do que na hora de nos colocarmos de pé e apontarmos o dedo para eles. Dizer quem realmente manda. Mas eu sei que mesmo se fizer isso… vou continuar pateticamnte esperando ele ligar ao lado do telefone.

Pensando bem, acho melhor esquecer de tudo e colocar esse pensamento na gaveta. Provavelmente essa é a minha TPM imaginária falando. E um pouco de exceso de chocolate. E talve, só talvez, um pouco de estresse devido a uma ligação que eu não recebi. Maldito ego! 

 

  

Eu detesto bloqueio.

Sim, isso mesmo o que você ouviu, ou melhor leu. Estou com bloqueio. O que significa que a minha capacidade mental de produzir textos descentes e interessantes foi pelo ralo. Por enquanto.

E não é simplesmente horrível quando isso acontece? Você sente aquele vontade absurda de escrever e colocar no papel tudo o que você está sentindo no momento. e então você se vê frente a tela em branco do Word, que lhe desafia telepaticamente a escrever alguma coisa, qualquer coisa. Mas não consegue. Você fica olhando para a ‘folha’ em branco, que constantemente zomba da sua incapacidade de escrever uma mera frase que faça algum sentido para a história da humanidade.

E o mais engraçado é que mesmo com essa humilhação frente à destruição do homem, aquilo que eu chamo de computador, a vontade de escrever não passa.  E aí você desliga a máquina, deita na cama, liga a televisão e passa o fim de semana INTEIRO assisnto a reprise de todos as séries da Warner, do Sony e do Universal Chanel que passaram durante a semana. Incluindo até mesmo alguns episódios horrorosos de séries péssimas que você só assistiria nessas condições. Ou então quando você está muito doente e não pode sair da cama. Na verdade, capacidade de levantar na cama não falta. O que atrapalha nessa situação é a manha. Aquela carência eterna que sempre faz sua mãe desistir de ir ao supermercado para ficar em casa fazendo cafuné no(a) filho(a) mimado(a) até ele(a) dormir. Mas fazer o quê, essa é uma das leis da vida. Que obviamente não serão discutidas agora, uma vez que meu bloqueio não permite.

Uma coisa que realmente me irrita nesse tipo de bloqueio mental é que nem mesmo estudar eu consigo. É como se meu cérebro entrasse em ‘hiatus’ e dissesse “okay, eu desisto, você pensa demais, está na hora de eu tirar umas férias!” e então PUF ele some e você fica na mão. Metaforicamente claro (vocês e suas mentes sujas!, são pessoas como vocês que precisam de bloqueio, não eu! – porque, por todos os deuses isso está acontecendo comigo!?). E eu fico observando a folha da apostila de comunicação comparada, observando letrinha por letrinha, sem conseguir realmente ler, uma vez que minha mente está tão cheia de idéias não expressadas que o espaço para o apredizado fica reduzido a, bem, zero porcento da minha capacidade.

E isso tudo me deixa mais irritada do que TPM. Que na verdade não existe (face it, boys, a TPM não passa de uma desculpa que vocês inventaram para fugir da culpa que os pitis das suas namoradas colocaram nas suas cabecinhas, e que, por sinal, tem fundamento). Eu fico constantemente ligando e desligando meu computador (e eu não me impresiono se um dia desses ele pifar), jogando partidas infinitas de Paciência Spider e abrindo e fechando arquivos interminados do Word, os quais continuam interminados. É tão irritante que vou acabar desenvolvendo uma úlcera por causa disso.

Nem mesmo ler a obra mais absurdamente boa da história eu consigo! Bom, isso na verdade, tem um pouco de preguiça também. Eu fico tão triste e bored por não conseguir escrever que desisto de fazer qualquer outra coisa produtiva. E aí eu termino na minha cama, abraçada com a minha vaca de pelúcia assistindo pela quarta vez consecutiva Por Água Abaixo no Telecine Premium e rindo feito uma retardada mental das piadas que eu já ouvi mais vezes do que seria aconselhável para uma pessoa comum.

Pensando bem, isso até tem um lado bom. Eu descansei bem mais do que nos últimos cinco finais de semana. Mas, por outro lado, minha cabeça está tão cheia de idéias pronta para serem postas a prova no crítico mundo do jornalismo, que estou com uma enxaqueca absurda que até agora só melhorou com doses homeopáticas do meu gigantesco ovo de Páscoa.

 Mas…

Ah, sabem de uma cosia? Coloquem esse post na gaveta, acabei de descobrir que o meu bloqueio passou! E que eu faço mais drama do que criança com febre de 37º.

Ah, bem. São as regras da vida não é mesmo? Agora, se me dão licença, vou terminar de ler O Ensaio sobre a Cegueira, do rei Saramago, escrever o artigo de opinião para a aula de expressão e Comunicação Verbal e terminar de assistir Por Água a Abaixo, afinal, ninguém é de ferro.

Sabe aquele docinho básico que as  garotas fazem antes de beijar um cara? Pois é… para nós meninas isso não passa de charme, “xaveco”, um jeito de nos certificarmos que o garoto está mesmo a fim. Para eles, caçadores do mundo urbano, o doce femino nada mais é do que enxeção de saco.

É complicado explicar. O doce é um exercício de sedução feminina. É um mecanismo de auto-afirmação. Faz maravilhas para  auto-estima. Fora que fazer um doce na balada é super chike. O sorrisinho maroto, o dedo que enrola uma mecha de cabelo enquanto pensamos, a mordidinha básica no lábio inferior, o olhar curioso… Todos mecanismos usados por nós, mulheres, para conquistar os homens. Faz parte, é claro, da nossa parte na ‘caçada’.

mas se existe uma coisa que mais me irrita no mundo é homem que não se enxergua. Quero dizer, sejamos sinceras, você está lá, na balada, dançando horrores com suas amigas, divertindo-se à beça, não se importanto com os caras ao redor, não procurando ficantes ou amores de verão, não mandando nenhum sinal que dizia com clareza que você está no mercado. E então… lá vem ele, de regata, bermuda acima do joelho, meias brancas esticadas até o meio da canela, boné com a aba para trás, correntes e pulseiras de metal no pescoço e punhos. E você para e pensa “não, relaxa ele não está vindo na sua direção, é apenas impressão, ele vai passar reto e conversar com os amigos bregas dele que estão enconstados no bar logo atrás de você”. Mas, quem diria, doce ilusão. Sim, ele vem falar com você lhe chama de ‘boneca’ e diz que você é a garota mais bonita da balada. E você não sabe se chora de desgosto, enfia o dedo na goela de nojo ou se sorri de constrangimento. Aí, para tentar se livrar do abacaxi que caiu justamente na sua mão, você começa com o doce. Mas não o doce da sedução, o doce que diz “por favor, deixe-me em paz porque eu realmente NÃO quero ficar com você NUNCA”.

Por isso que eu digo que nessas horas o nosso doce perde toda credibilidade que um dia teve e vira um bolo. Porque afinal, os homens não desistem nunca! não aceitam um não como resposta. E nós nos esquivamos, dizemos que temos namorados, que somos casadas, algumas até chegam ao ponto de alegar que possuem namoradAs, se é que vocês me entendem. O sinal que aparece no nosso rosto é o da irritação. Não nos toque, não nos irrite, simplesmente nos deixe em PAZ, pelo amor de todos os deuses!

Claro que quando um garoto chega em uma de nós durante a balada, ficamos lisonjeadas. Aliás, se alguém veio conversar conosco signfica que alguma coisa em nós parece estar certa. Seja uma única coisa, seja o conjunto inteiro. Seja um único cara que se aproximou, sejam duzentos e quarenta e sete. Mas perceber que somos desejadas, queridas por alguém (mesmo que seja o cara mais brega da face da terra – perdoem-me homens do mundo, mas se falo isso é porque se nós mulheres exageramos no look e nos cuidados às vezes, ou melhor, se nos esquecemos completamente deles, vocês também os fazem) faz um bem danado para o ego. Mas a bondade do ato passa quando a insistência chega. Acreditem, fazer o doce na medida certa dá um trabalho danado. Fazer um bolo cansa ainda mais. Irrita e dá rugas.

O legal da paquera é a troca de olhares, a vontade dos dois, os risinhos, a falta de paciência dele o excesso da parte dela, os gestos, os carinhos e finalmente o tão esperado beijo. Mas como diz o ditado : ‘quando um não quer dois não fazem’. Então, chega aí a parte mais esperada desse meu pequeno momento de indignação: garotos, coloquem a insistência e a breguiçe na gaveta . Flerte é legal. Mas na medida certa. Assim como tudo na vida. O ser ou não ser da questão vem na hora H. Se você sabe impressionar a garota, elogiá-la na medida certa, com as palavras certas, se for respeitoso e carinhoso, ponto para você. Caso contrário, só tenho uma coisa a dizer: Beijos, não me ligue!

Esse post é uma homenagem a todas as minhas amigas, guerreiras da balada, fazedoras constates de bolos e doces de todos os tipos, que vivem adicionando mais e mais aventuras à minha gaveta.

 

Se algum dia me perguntarem se eu gosto de mudanças direi sem hesitação que não. Não, não gosto de mudanças, sejam elas no sentido figurado ou literal da palavra.

Para mim elas assustam. E muito. Mudança significa que alguma coisa será diferente daquilo com o qual estamos acostumados, que sairemos do nosso lugar comum, do nosso lar, para entrar em um local desconhecido e assustador. Significa que deixaremos de ser alguma coisa para nos tornarmos outra.  

Semana passada minha mudança foi de lar. E enquanto a loucura de mudar para uma casa nova me fazia perder cabelos aos montes, deparei-me com o pior dilema da minha vida. Na tarde de sábado, enquanto (finalmente!) arrumava algumas coisas no meu quarto e jogava fora a maior parte das malditas caixas que eu precisava pular toda noite para conseguir chegar à minha cama, minha mãe me perguntou “Filha, o que você quer fazer com as Barbies que ficavam na sua prateleira?”. Eu gelei.

O que fazer com as Barbies da prateleira? Nada! Simplesmente nada! Elas vão continuar onde estavam até o fatídico momento. Seria uma audácia tirá-las de onde estavam! Elas sempre estiveram lá. Porque agora não estariam?

Mas então… bateu-me um pensamento. Eu realmente não queria que as Barbies continuassem onde estavam. Eu não gostava mais delas, por mais cruel que isso possa paracer. E foi aí que eu percebi que havia mudado. Emocionalmente.

Para mim aquelas bonecas com corpo de modelo sempre foram parte importantea da minha vida. Ou melhor, da minha infância. Eu era uma menina moleque. Adorava jogar bola, subir em árvores, brincar até morrer de cansaço. Nunca fui uma grande fã da moda, nunca me importei com o que os outros pensavam de mim. Nunca gostei de shoppings ou de fazer compras. Passei a gostar de maquiagem no meu primeiro ano da faculdade. Meus melhores amigos sempre foram meninos. E são até hoje. Com excessão é claro, das minhas amigas da faculdade que hoje considero também parte da minha família. 

Mas nesse meu mundinho de criança eterna, as Barbies me conectavam com esse mundo mais menina, fazia-me sonhar. Incentivaram a minha imaginação a funcionar a mil toda vez que a Barbie bailarina beijava de mentirinha o Ken com roupa de praia. E no fim das contas os dois partiam na sua Ferrari vermelha, conversível, de brinquedo para o seu destino de viver felizes para sempre. Hoje, tornei-me essa pessoa sonhadora e idealista, que vive com a cabeça no mundo da lua 24 horas por dia, sete dias por semana, e que imagina situações inacreditáveis por qualquer comentário inútil (isso lembra alguma coisa?) graças a essas bonecas.

Fazia coleção delas. Elas e meus bixinhos de pelúcia eram a minha conexão com o mundo mágico que reside na minha mente. Fora isso, eu era moleque. E ainda sou. Talvez seja por esse motivo que ainda sou criança. Mentalmente, claro. E talvez seja por isso que, para mim seja tão difícil acreditar (vejam bem, acreditar, e não excercer) que já tenho milhões de responsabilidades que estão, nesse exato momento, decidindo o meu futuro. E eu percebo que cada vez tenho menos tempo para imaginar e sonhar. E isso é tão triste que chega a me apertar o coração.

Um dia me faralam que os adultos eram tristes por não lembrarem da criança que um dia foram. Que eles são tristes por não sonharem. “Os adultos são amargos, ranzinzas”. Os adultos são… cinzas. E eu nesse meu mundo colorido, vejo as cores se esvaindo cada vez mais.

E eu não quero que isso aconteça. Aliás, acho que ninguém deveria deixar isso acontecer.

A única solução que vejo para nos impedir de parar de sonhar é continuar lembrando. Lembrando da infância, das brincadeiras, dos amigos. Fazer molecagens de vez em quando, brincar com as Barbies escondidas no fundo da gaveta, repassar nossa criança interior para nossos filhos, sem deixar que ela fuja completamente de nós.

Afinal, devemos deixar as Barbioes sempre em nossas prateleiras. Mesmo que apenas metaforicamente.  

“Hakuna Matata?”

Para quem não sabe, a graciosa, famosa e intrigante frase que dá nome a uma das músicas do filme da Disney, Rei Leão, significa, em um dialeto africano, “sem problemas”, “sem preocupações”.

Devo dizer que não há coisa mais fofa no mundo inteiro do que Timão, Pumba e Simba, cantando Hakuna Matata sobre um tronco, num luar maravilhoso (esquecendo-se é claro, as mensagens sublimares ditas existentes no filme) próximos a uma cachoeira. Ah! O mundo é belo e eu havia me esquecido!

Quando adotei a ideologia (se é que eu posso chamar isso de ideologia) e quando coloquei a musiquinha como toque do meu celular, esqueci que vivia numa das maores cidades da América Latina e que, bem, para minha idade, eu tenho um dos horários mais complicados da história.

É claro que na teoria tudo é mais fácil… O mundo é lindo, tudo é uma maravilha, os nossos problemas não são tão ruins quanto parecem, vivemos cada dia com calma como se este fosse o último. Olhamos para o céu sem nuvens de um dia de verão e sorrimos. Abrimos os braços e sentimos a brisa leve bater contra o nosso rosto. O tempo pára e tudo é a mais bela perfeição. Hakuna Matata! Carpe Diem!

 Mas isso, é claro, se você viver numa bolha de ilusões.

São Paulo é uma cidade barulhenta, suja, apressada e superlotada. Não deixa de ser o meu lugar favorito no mundo, é claro, mas ainda assim. Vivemos uma correria constate. É faculdade de um lado, estágio do outro, trânsito em todo lugar. Estresse. Estresse. Estresse.

Às vezes, mal conseguimos prestar atenção em como está o tempo lá fora. Saímos de regata quando cai o mundo de tanto chover e blusa de lã quando a temperatura chega a 40º à sombra. Quando não estamos em casa estudando, estamos trabalhando ou em aulas. Até mesmo quando estamos, finalmente, sem fazer nada, não temos vontade (ou melhor dizendo, forças) para pensar ou simplesmente aproveitar o tempo bom.  No fim das contas Hakuna Matata que se enfie na gaveta, eu tenho mais o que fazer da minha vida!

Não digo que não tenhamos nossos momentos mágicos, no qual o mundo é um lugar sem problemas socias, políticos e bélicos. Mas eles são tão poucos, que aproveitar a vida se torna algo quase obrigatório. Precisamos sair para distrair. Necessitamos fazer algo fora da rotina. Somos OBRIGADOS a aproveitar cada segundinho dos poucos minutos calmos que temos. Logo, que venha Hakuna Matata, eu vou mais é me jogar loucamente na balada!

Realmente, nunca entenderei os paradoxos humanos, mas por mais raro que sejam, nossos momentos Hakuna Matata são como a salvação que vem dos céus para essa loucura que é a vida urbana. Se você vai aproveitá-los dançando e cantando num tronco de árvore numa noite de lua cheia ao som de uma cachoeira imaginária, a decisão é sua. Mas que é sempre bom darmos uma de Timão e Pumba para nos deslocarmos da realidade comum e, por vezes cruel, isso é.

Agora, se me dão licença, vou colocar uma saia de folhas e dançar a Hula para distrair as hienas, se é que vocês me entendem…

« Novos Posts - Postagens Antigas »